sábado, 20 de outubro de 2007

Never forget Nirvana


Eu era o roqueiro clássico em 1991. Era fanático pelo básico: U2, Beatles, Stones e Pink Floyd. Conhecia alguma coisa de Lou Reed, Velvet Underground, Pixies, Echo and The Bunnymen e Bob Dylan e muito, muito Led Zeppelin, Doors, Joy Division e Jesus And Mary Chain. Me informava o máximo que podia aqueles tempos.

Lembro do belo dia em que ouvi Nevermind, do Nirvana, pela primeira vez. Foi em 1992, na casa do Xuxa, um amigo um ano mais velho, que tinha amigos mais velhos e se informava mais sobre novidades. Lembro que “On A Plain” me cativou, mas não saquei muito o resto. De cara, não entendia toda aquela gritaria, aquela guitarra pesada... Em suma, eu era um cabação.


Tinha minha namorada, estudava jornalismo numa faculdade particular na minha própria cidade, tinha minha banda de rock que me satisfazia artisticamente, onde despejava meus últimos arroubos de lirismo adolescente. Tava bom assim.


Isso seguiu assim até que um cara “esquisitão” do curso de Publicidade, o Toni, que eu considerava meio que uma entidade, me convidou para assistir ao show de uma das bandas dele, o Anywise Pub. Não lembro onde foi, sei que foi em 92 também, e a ficha começou a cair. Aos poucos, eu começava a me distanciar do som que fazia e passei a defender que o som da Nowhere, minha banda, tinha que ficar mais pesado.


No final de 92 e em 93, com o Hollywood Rock, foi o boom no Brasil do som grunge. Lembro que não gostava muito daquela coisa de clipes do Temple of The Dog, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Smashing Pumpkins, Stone Temple Pilots e Nirvana o tempo todo na MTV, que ficava ligada full-time no barzinho da faculdade. Não entendia, no meio do fenômeno, o que estava acontecendo. Não entendia como bandas underground até dois anos antes estavam bombadas na TV. Nem pensei em assistir ao Nirvana no Hollywood Rock. Achava o Alice in Chains mais legal e vi os caras pela TV.


Ok, assim seguiu. O som da Nowhere foi ficando mais pesado e eu vendo a revolução grunge pela TV. Até que vi o Corsage, a outra banda do Toni tocar. Uau! Não era, definitivamente, um som grunge, mas consegui ver como uma pessoa com influências dos anos 80 poderia atualizar o som que curtia. Ali a ficha caiu de vez e eu queria conciliar meus novos gostos com os antigos e o som da minha banda, mas ainda não foi a vez do Nirvana, que cada vez parecia mais legal para mim, mesmo depois daquele disco de lados B´s, então esquisitos para mim, o Incesticide.


E, enfim, aconteceu o que até então ninguém esperava. Kurt Cobain se matava com um tiro na cabeça em abril de 94 em Seattle, pouco depois de uma overdose em Roma. Lembro que fiquei abaladíssimo e comprei o Nevermind no dia que soube da notícia. Pouco depois comprei o segundo do Alice in Chains, mais uns meses e ganhei o Ten, do Pearl Jam. Lembro do vendedor estúpido da loja onde comprei o disco. “É, só porque o cara morreu, tá todo mundo comprando essa merda de novo”.


Eu lembro de ter ouvido Nirvana o dia inteiro aquele dia e a ficha caiu totalmente. Todo mundo que curtia som sabia dos problemas com drogas de Kurt e todo mundo esperava que ele morresse de overdose um dia, mas não que se matasse com um tiro na cabeça. E em 1994! Não agora.


94 passou devagar, com pesar. Naquele ano minha banda se dedicou durante seis meses, fazendo poucos shows e ensaiando apenas três músicas, gravadas em novembro. Adorei o resultado, mas achei o som desconectado de tudo o que acontecia a nossa volta. Não aguentava mais viradas sofisticadas de bateria. Queria fazer um som pesado, eu queria alterações drásticas de dinâmica, à la Nirvana, eu queria ser sincero com a minha dor interna, eu queria fazer barulho.


Queria misturar aquela massa pesado-melódica do grunge com tudo o que havia aprendido de rock até então, especialmente o som mais dark de Jesus and Mary Chain e Joy Division. No verão de 1995, já estava montado o Embryo, powertrio de som pesado do qual me orgulho. Em maio, tocamos em nosso primeiro festival e dedicamos um cover de “About a Girl”, do Bleach, ao Kurt. O Smelly Guys, que tocou no mesmo dia, fez uma versão matadora de “Serve The Servants”, do In Utero. O Joãozinho chorou depois de tocar a música. Tinha se lembrado de muitas coisas, talvez, mas, com certeza tinha se lembrado de Cobain.


Depois disso, Nirvana e outras bandas da época entraram no repertório e influenciaram o Embryo. Nos shows posteriores fizemos “Molly´s Lips”, cover do Nirvana para uma canção do Vaselines, “Been a Son”, “Lithium” e "It Ain´t Like That", do AIC. Lembro especialmente da versão de “Lithium” que fizemos no palco do verão da prefeitura de Praia Grande, mesmo palco em que Roberto Carlos, de quem sempre fui grande fã, e Mamma´s and The Papas haviam tocado. Chovia, mas uns 70 gatos pingados ficaram pulando sob o toró. Na rua, caminhando pelo calçadão depois do show, éramos reconhecidos. Lembro de uns moleques do ABC, gritando para a gente. “Yeah, yeh, yeah...”, como no refrão da canção... Estava no céu, até ter que me virar no meio da enchente para sair da cidade, sem ônibus, com os grandes parceiros Ivair e Mauro, que havia conquistado uma garota depois do show... Sexo e rock´n´roll, perfeito! Era o meu ideal de vida. As drogas eu sempre dispensei. Não queria acabar como Kurt ou Lanney Staley...


E em agosto de 1996, eu fui trabalhar em São Paulo. Pouco antes, Mauro havia deixado o Embryo, mas o som não tinha morrido em mim...


Onze anos depois, trabalho para preservar a memória da minha história no rock´n´roll e, quem sabe, juntar a molecada para um som. No meio disso, tenho mergulhado na leitura de livros super rock´n´roll e me deparei com a biografia de Kurt aqui em casa. “Mais Pesado que o Céu”, de Charles R. Cross, 400 páginas que devorei em cerca de 10 dias. Um livro perfeito, uma aula de jornalismo, com informações de toda a família de Kurt, amigos, empresários, outros jornalistas... E, constatei, Kurt Cobain nada mais foi do que um gênio. Maluco, mas um gênio. E esse cara mudou minha vida e minha percepção da música. Obrigado, Kurt. I´ll never forget Nirvana.

Cotações:

Bleach (1989) - ****1/2

Nevermind (1991) - *****

Incesticide (1992) - ****


In Utero (1993) - ****1/2

Unplugged in New York (1993) - *****

From The Muddy Banks of The Wishkah (1996) - ****

Singles (Box Set) (1995) - ****

Other Stuff:

Todos os CDs com artes, fotos e informações. In Utero completo com letras.

Cotação: ****1/2 (para todos)

domingo, 14 de outubro de 2007

REVOLUCIÓN, ENFIM!!!!


No mês em que o assassinato de Che Guevara completou 40 anos, eis que houve, enfim, a revolução. O Radiohead, uma das maiores bandas em atividade, com um catálogo de hits realmente importante, milhões de discos vendidos no mundo todo, com um vocalista esquisitão, mas carismático, rompeu de vez o cordão umbilical com a indústria. E pela primeira vez eu me senti compelido a, enfim, baixar um disco.


O grupo lançou seu novo disco no dia 10 de outubro pela internet (www.inrainbows.com), sem ter contrato assinado com nenhuma gravadora. Os ingleses deram ao fã duas opções no lançamento: baixar as dez faixas ou adquirir uma caixa especial, cheia de mimos, por quase R$ 150 (40 libras).


O detalhe: ao optar pelo download, o cliente poderia atribuir ao disco o preço que quisesse. Pela primeira vez, uma banda tornava tangível o conceito abstrato, mas verdadeiro, de que música não tem preço. Se quisesse, o cliente poderia atribuir zero como valor e pagar somente menos de meia libra a título de taxa de administração. Eu optei por pagar 1 libra, mais a taxa, ficou algo em torno de R$ 6.


Acho absurdo o preço atualmente cobrado por downloads oficiais nos sites de gravadoras ou lojas virtuais. Geralmente, paga-se entre R$ 1,90 e R$ 2,50 por uma faixa, o que definitivamente não vale um arquivo de MP3, o qual todo mundo sabe que não tem a mesma qualidade de um arquivo de áudio em um CD. E o consumidor não fica com nada tangível em troca, apenas arquivos, que podem ser perdidos com um simples esbarrão na tecla delete.


Esse mercado acentuou a compra de faixas e as pessoas ignoram informações sobre o que estão comprando_ ou seja, a arte de colecionar discos está sendo assassinada, como vários prazeres vêm sendo aniquilados nesta virada de século. Como digo no texto de apresentação do blog, é a banalização. As coleções de discos podem desaparecer. Não há mais nada para curtir, para chamar de seu.


O Radiohead, no seu pioneirismo, tenta romper com esse formato duas vezes. Primeiro, ao tornar o download a primeira forma disponível de se obter o álbum, e, segundo, ao não vendê-lo fracionado, ao não desmontar o conceito do álbum. É esperar para ver. Eu torço para que dê certo_ uma alternativa ao que considero a impessoalidade do download.


IN RAINBOWS – Radiohead volta ao paraíso


Após a quinta audição, não tenho dúvida. In Rainbows é um álbum pop, ao contrário do que disseram muitos jornalistas nas primeiras resenhas publicadas ao longo da semana passada.


Marcado por arranjos com arpejos de guitarra, o disco é repleto de melodias assobiáveis, de assimilação um pouco difícil, sim, mas, seguramente, é uma evolução, mais suave, da linha quase convencional trilhada em “Hail To The Thief” (2003), o último CD da banda. É o melhor álbum do grupo desde OK Computer (1997). Vai lá: www.inrainbows.com e compre o seu.


15 Step – Percussão, efeitos. Aos 45 segundos, entra a guitarra. Arpejos, slides, a melodia é circular e abre o disco com estilo;


Bodysnatchers – Rock´n´roll. Guitarras sujas lembrando Sonic Youth dominam a faixa. Pop, a canção tem até uma ponte grudenta antes do batidão sujão voltar;


Nude – Você se sente nos fundos de uma sala, onde violinos são tocados próximos do teto, como nos camarotes de um teatro. Sobre o arranjo de baixo, Yorke canta maravilhosamente;


Weird Fishes/Arpeggio – A faixa começa com percussão e logo surgem os arpejos , como o próprio nome da canção diz.

Yorke canta um arremedo de refrão:

“in the deepest ocean/ the bottom of the sea/ your eyes, they turn me/ why should I stay here?”.

A batida acelera, como peixes estranhos em um aquário;


All I Need – A mais estranha e também a mais pop. A faixa começa com um belo cello, mas sua batida lembra Joy Division e leva o ouvinte ao primeiro refrão nítido do disco... “you´re all I need”;


Faust Arp – Uma faixa bem rural, passa sensações campestres. Uma mistura de Pink Floyd pré-dark side com Nick Drake;


Reckoner – Novamente arpejos e percussão. Yorke canta como se murmurasse alto. O piano marca uma transição e a faixa termina com um cello matador. É a minha preferida, de longe;


House of Cards – Com apenas 5´25, é a faixa mais longa do disco. Começa com uma guitarrinha meio bossa, meio suingada. “I don´t wanna be your friend/ I just wanna be your lover”, canta o ET Yorke. Parece minha vida!;


Jigsaw Falling Into Place – Violão e bateria acelaradinhos. Gostosa. “C´mon and let it out”, “repete” o pastor Yorke neste quase-refrão;


Videotape – Belo final de um belo álbum. Tá nublado na praia, hora de correr para casa, sem antes não deixar de apreciar o mar se tornar uma mancha cinza.


Cotação: ****1/2


Other stuff – Por enquanto não tem other stuff. Além da opção do download, a banda oferece por 40 libras uma caixa com a versão de In Rainbows em vinil, CD, um disco com algumas faixas extras e muitos bichinhos e artes do “líder” da espaçonave Radiohead. Quem encomendou a caixona vai vê-la só em dezembro, perto do Natal. No início do ano que vem, deve sair a versão normal do disco, esperamos sem pilantragens, tipo faixas novas, o que descredenciaria toda a ousadia. E que as gravadoras fiquem longe desses meninos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Um brinde ao Skank



“Quando a noite estender um manto sobre nós

Meu abrigo então será o som da sua voz”

O Som da Sua Voz (Samuel Rosa/Chico Amaral), in Carrossel


Essa história mistura o profissional com o sentimental. Era junho de 2000, e eu trabalhava como editor de música do site Zoyd quando me credenciei para a coletiva que o Skank daria em um flat da região da Paulista para falar à imprensa de São Paulo sobre o lançamento do CD Maquinarama.


Até então, tirando a capacidade inerente de fazer hits pop como “Jackie Tequila” e “Uma Partida de Futebol” e clipes bacanas, como “Mandrake e os Cubanos”, o Skank não havia me cativado, exceto uma versão sensacional, em espanhol, de “Wrapped Around Your Finger” e o primeiro sucesso deles, “Tanto”, versão de “I Want You”, de Bob Dylan, com uma letra linda de Chico Amaral.


A coletiva começou com uma audição de Maquinarama. Tudo era diferente. “Três Lados” já tocava no rádio, mas não deixava claro tudo que estava por vir. Lembro dos jornalistas boquiabertos, não acreditando (naquele tempo o Napster era uma sombra e os CDs ainda reinavam inauditos até o lançamento). O disco já era diferente até na capa, com a foto de uma obra do pós-moderno Kenny Scharff. Ah, e o baixista Lelo Zanetti estreava como compositor de uma faixa sozinho, "Canção Noturna", com letra de Chico Amaral, até hoje presente em todos os shows do Skank, tradição que se manteve nos discos seguintes.


O Skank tinha deixado o Ska em alguma esquina e se mirava em todas as suas outras influências pop. O disco já abria com uma parceria bacana de Samuel e Edgard Scandurra, em “Água e Fogo” e bebia em um pouco de tudo: Beatles, Clube da Esquina (ainda menos que no Cosmotron e Carrossel), R.E.M, música de filmes do Tarantino, Fausto Fawcett_ o que é “Balada do Amor Inabalável”, meu Deus? Pop perfeito, o mais carioca que quatro mineiros podem chegar, sem dúvida.


Enfim, tudo era diferente e a atitude tranqüila da banda na coletiva me cativou de vez. Eu era, a partir dali, um fã de carteirinha da banda e passei a prestar a atenção em tudo o que eles faziam. Depois comprei o CD Cosmotron, de 2003, e assisti dois shows daquela incrível turnê em São Paulo, inclusive a gravação do especial Multishow.


Cosmotron, aliás, tem minha música preferida do Skank, “Dois Rios”, parceria de Samuel, Lô Borges e Nando Reis, com um piano maravilhoso de Henrique Portugal, e o maior hit da história do grupo, a super-pop “Vou Deixar”. A música tocou até encher um pouco o saco, mas é inegável. É um hit massivo, impressionante. A introdução na Rickenbacker, as alterações de dinâmica, o coro no refrão, a ponte quase sussurrada. Que canção!


E eles continuam surpreendendo. Escrevo esse texto ouvindo o último CD deles, Carrossel, lançado ano passado. O álbum marcou meu relacionamento com uma pessoa muito incrível, mas tão maluquinha e confusa como eu. O relacionamento acabou, mas meu amor pela banda e o CD ficaram aqui, intocáveis na estante. É reconfortante saber que há espaço para melodia no pop-rock brasileiro, com gravações de qualidade em trabalhos excelentes de gente como o Skank, Acústicos e Valvulados, Los Hermanos, Ludov, Pato Fu e Ira!


Carrossel continua seguindo a trilha de novas parcerias abertas em Maquinarama. Hoje, além de Chico Amaral, na minha opinião, um dos três maiores letristas brasileiros, autor de versos lindos como “das volutas que moram dentro/ do meu pesamento morno”, de Fica (Maquinarama), o Skank tem como parceiros fiéis, Lô Borges, Nando Reis, Fausto Fawcett, Rodrigo Leão e Humberto Effe. E nesse disco entraram Arnaldo Antunes, em “Trancoso” e César Maurício, do Virna Lisi, autor da letra de “Seus Passos”, uma das mais belas do álbum ("nesse jogo de reflexos, a certeza me distrai...").

Na última segunda-feira, dia 1, assisti um show da turnê Carrossel, numa festa fechada de uma empresa (onde tirei a foto acima). Mesmo com a platéia carregada de plumas e paetês, proseccos e Red Labels, o Skank não deixou a peteca cair. É claro que não dá para escapar de “Uma Partida de Futebol” e “Jackie Tequila”, mas é possível ouvir pérolas como “Mil Acasos”, “Uma Canção é Pra Isso”, “Dois Rios”. Skank ao vivo ou no disco é isso, um brinde aos ouvidos e à sensibilidade.


Cotações:

Maquinarama (2000) - **** 1/2

Cosmotron (2003) - ****


Carrossel (2006) - *****

Other Stuff:

Todos os CDs com encartes completos, com arte, letras e informações.

Cotação: ***** (para todos)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Um filme, uma trilha (Tudo Acontece em Elizabethtown)


“Aqueles que se arriscam, vencem”, lema da Royal Air Force.


Rapaz perde o pai um dia depois de causar prejuízo de um bilhão de dólares numa grande empresa de material esportivo. No caminho para Elizabethtown, uma cidade-paisagem no Kentucky, para cuidar da cerimônia fúnebre, o rapaz conhece uma aeromoça linda (que é só a Kirsten Dunst!!!!!) de uma companhia aérea falida. Ela decide encontrá-lo e eles vivem uma linda história, cujo fim eu não vou contar.


Até porque não tem fim quando o amor é verdadeiro, até porque não há resposta lógica quando essas cadeias de coincidências nos levam ao infinito e é isso que Cameron Crowe consegue também com seu filme e com a sua trilha sonora incrível.


Ex-repórter da revista Rolling Stone, como vimos em “Quase Famosos”, Crowe além de escrever e dirigir, sempre coordena a trilha sonora de seus filmes pessoalmente, assim como Clint Eastwood, por exemplo. E a trilha sonora do filme é uma das coisas mais lindas dos últimos tempos.


Reunindo música instrumental simples composta por sua esposa, Nancy Wilson, do Heart (alguém lembra?), com Tom Petty, Elton John, My Morning Jacket, The Hombres, blues, soul, o filme se dá ao luxo de “parar” por quase 20 minutos para mostrar a viagem do personagem por dentro de sua alma, e pelo centro-sul dos Estados Unidos, rumo aos arredores de Seattle, onde vivia a sua família_ 42 horas e 11 minutos de carro.


Para seguir seu caminho, ele ganha um mapa e a trilha sonora preparada pela moça. No caminho, ele passa por Memphis, onde faz uma pausa para ir na Sun Records, no MLK Memorial, num bar onde se reuniam e bebiam as feras do blues local... Depois do Mississipi, descrito como “a musa de Mark Twain e leito de morte de Jeff Buckley”, no meio do nada, no Kansas, o rapaz finalmente cai em si, ao som de “Square One”, de Tom Petty, e “My Father´s Gun”, de Elton John.


Ele lembra do pai, a ficha cai e ele percebe que a vida é muito mais que tudo isso_ que um fracasso, um tênis, o tamanho do nosso hollerith, o egoísmo que nos leva a achar que somos o último pedaço de carne seca do Nordeste... Agora era só escolher: o caminho de casa ou uma moça loira de gorro vermelho. Se ainda tem dúvidas de qual será a escolha do nosso herói, veja a trilha desse filme, clicando aqui. Aqueles que se arriscam, vencem.


E eu quero arriscar. Quem vai?



P.S.: Obrigado Stella pelo link para o download da trilha!!!

Cotação:
Filme: *****
Trilha instrumental: ***
Soundtrack: Vol. 1 - ****1/2; Vol. 2 ****1/2 (só não leva cinco, porque não tem "Freebird" e "In The Name of Love", que tocam no filme, mas não entraram nos CDs)

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Acústicos & Valvulados – Acústico ao vivo e a cores (2007)


Para comemorar 15 anos de carreira, os gaúchos do Acústicos e Valvulados resolveram enfim gravar um CD/DVD acústico no ano passado, o “Acústico ao vivo e a cores”, gravado no belo Clube Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. E o resultado não poderia ser melhor.

O grupo, formado pelo vocalista Rafael Malenotti, o baterista e principal letrista da banda, Paulo James, o poeta, e o guitarrista e também vocalista Alexandre Móica, membros originais, acrescidos de Daniel Mossmann, o Jesus, na guitarra, e o baixista Diego Lopes, atinge seu ápice, acompanhado de diversos músicos convidados, em especial, a “sexta estrela” da banda, o guitarrista e compositor Luciano Albo, parceiro constante de James em grandes canções do grupo como “Milésima Canção de Amor”.

Acompanho o trabalho do Acústicos desde 2000, quando recebi na redação do site Zoyd, onde trabalhava, o glorioso segundo CD da banda, o primeiro homônimo, lançado em 1999. Quando ouvi aquela mistura de folk e rock, com as letras psicodélico-urbanas de Paulo James, como “Bubblegum”, “Fim de Tarde Com Você”, fiquei encantado e ofereci-me a fazer uma matéria grande com eles, cujo disco estava sendo lançado em São Paulo pela Abril, mas não rolou.

Em 2004/2005 acompanhei vários shows do Acústicos em São Paulo, sendo o mais marcante o da Funhouse, que assisti inteiro da boca do palco. Foi um show histórico, no qual fiquei até com um toco da baqueta do Paulo e no qual, na empolgação, o Rafael caiu do palco (sem conseqüências graves), aumentando mais ainda a chalaça, como eles gostam de chamar “bagunça”.

Ano passado estive em Porto Alegre e consegui os dois CDs deles que me faltavam, o segundo homônimo, de 2001, que é o mais rock de todos e que tem a música da minha vida no ano passado: “Suspenso no Espaço”, e o quinto , “Esse Som me Faz Tão Bem”, de 2005, o mais elaborado, com muito piano e violões.

Para quem não conhece o trabalho da banda, o DVD ou o CD é uma belíssima introdução ao som e ao universo lírico desse grupo que faz tudo com muito capricho, verdadeiros maneiristas que são da música bem feita, bem escrita e bem tocada, pois reúne 16 dos maiores sucessos da banda e quatro inéditas.

Entre as inéditas, Móica surpreende cantando (muito bem) “Vou com Você”, de sua lavra. “Milésima Canção de Amor”, de Albo/James, ganha uma versão melhor que a original, “Fim de Tarde Com Você” e “Quintal”, brilham como belos dias de sol. Os arranjos são ainda abrilhantados pelas participações especiais de Luciano Leães (piano e hammond), Márcio Petracco (pedal steel) e Alexandre Papel (percussão), todos da nova banda Locomotores, e Luiz Henrique Tchê Gomes, do TNT, que canta “Deus Quis”, de sua autoria, em dueto com Malenotti.

Cotação: *****

Other Stuff – Comprei o DVD, pois estava com saudade de ver a banda ao vivo (pô, quando é que o A&V vem à Sampa?). O encarte tem informações bacanas, o DVD tem poucos extras, mas inclui cenas de bastidores e uma matéria feita para o programa Patrulha, da RBS. O DVD tem uma edição limpa, com uns cortes simples, mas a fotografia e a luz são belíssimas, acima da média nacional. Na minha opinião, faltou apenas o som e o calor da platéia, cujas manifestações foram praticamente limadas, escutando-se apenas palmas no final de cada música, o que dá uma certa artificialidade, uma vez que num show dos A&V, o público canta do começo ao fim.

Cotação: ****

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ramones, Rock And Roll High School, o filme (1979)


Não tive dúvidas. Entre o happy hour com o pessoal do trampo e o convite de amigas para “um filme de rock” no CineSesc, eu não tive dúvida. Fui ver o filme. Ao chegar lá, descobri que exibiriam, de graça, “Rock And Roll High School”, de 1979 (que eu nunca tinha tido a oportunidade de assistir), com os Ramones, produzido pelo Roger Corman, e dirigido por Allan Arkush, que dirigiu também o sensacional “Get Crazy” (1983) e depois se tornou diretor de seriados.

A exibição fez parte do projeto Cine Comodoro, desenvolvido pelo diretor Carlos Reichenbach (“Garotas do ABC”, “A Ilha dos Prazeres Proibidos”, “Dois Córregos”, entre outros), e prevê a exibição de um filme raro, precedido por um curta, no caso o interessante “Das Faces e Sombras”, de Vebis Jr.

E o filme “Rock and Roll High School” é um clássico raro, exibido com legendas especialmente preparadas para a sessão. Produção B, conta a história de Riff Randell, a maior fã dos Ramones, que resolve enfrentar a nova diretora conservadora de sua escola_ a High School da história.

O que se segue é o filme teen clássico, até a entrada em cena dos Ramones, que chegam à cidade num conversível. A partir de então, o filme vira um veículo para a banda, com direito a piadas sobre fãs, groupies e jabá.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção é como os Ramones são tratados no filme. Em cena, eles não aparecem como parte do movimento punk, mas sim como os devidos rock stars que eram, mesmo na sua simplicidade.

Numa cena em que Riff sonha com seu amado Joey Ramone após fumar um baseado, entre os discos de sua coleção estão “Sticky Fingers”, dos Stones, “Who´s Next”, do Who, “Highway 61”, de Dylan, e “Road To Ruin”, dos Ramones.

Diferentemente da Inglaterra, onde a cena punk pregava a distinção radical do que era feito por Led Zeppelin, Pink Floyd, etc, no imaginário americano, o punk era rock´n´roll também, ponto. No filme, além de Ramones, ouve-se Velvet Underground (“Rock and Roll”), Alice Cooper (“Schools Out”, claro), Chuck Berry, Devo, instrumentais de Brian Eno, e até Paul and The Wings, com a belíssima “Did We Meet Somewhere Before?".

Uma pena que na cena do show, os Ramones não executem seus números ao vivo, que incluem “Teenage Lobotomy” e “Pinhead”_ coisas de uma produção barata, é claro, mas o que importa é que a mensagem dos Ramones ainda está viva, tanto que o cinema, de 350 lugares (incluindo o fumoir) estava quase lotado, o que é excelente para uma quarta-feira e para Johnny, Joey, Dee Dee e Marky.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Top Ten MP3

Esse espaço é para compartilhar o amor pela música e divulgar música boa.

Portanto, eis uma listinha de algumas das músicas que mais tenho ouvido entre cento e sessenta e poucas que estão no meu MP3. Tem de tudo, clássicos e novidades do rock e da MPB. A abrangência do gosto do autor é grande, tanto que hoje coloquei no bichinho músicas de Sinatra e Robert Plant, dois de meus cantores preferidos. Corram atrás:

Elton John - Tiny Dancer - um clássico, que ficou mais lindo ainda por meio da sensibilidade de Cameron Crowe no já clássico filme Quase Famosos.
Supergrass - Movin´- carro chefe do terceiro disco da banda, "Pumping On Your Stereo", de 1999. O Supergrass é uma banda tão boa ao vivo quanto no disco. Tenho um DVD em que a banda apresenta essa música no palco do Jools Holland e é quase tão bom quanto no disco.
Morrissey - You Have Killed Me, do novo disco dele: "Ringleader of the Tormentors", que já começa com um verso sensacional _"Pasolini is Me". Não precisa dizer mais nada. Pop perfeito com o Mozz cantando melhor que nos Smiths.
Ronnie Von - My Cherie Amour - versão em português belíssima do clássico de Stevie Wonder, gravada no encantador disco "A Misteriosa Luta do Reino de Parasempre (1969) ", na época que o Ronnie andava com o letrista, compositor e produtor Arnaldo Saccomanni, hoje o "cara" do Ídolos, no SBT, sem demérito, pois a única coisa boa daquele programa é o júri.
Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo (1971) - O álbum inteiro está espalhado no MP3 e é maravilhoso, especialmente a voz de Erasmo, simplesmente perfeita e todos os arranjos, em especial "Mundo Deserto", "Sodoma e Gomorra", "É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo", as três de Erasmo e Roberto, e "Agora Ninguém Chora Mais" (Jorge Ben), "De Noite na Cama", a melhor versão ever do clássico de Caetano, mas a minha preferida é "Não Te Quero Santa", que tem a ver com o momento que estou vivendo hoje, de Sergio Fayne, Vitor Martins e Saulo Nunes.
Small Faces - Afterglow - o que é essa introdução!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!e o refrão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Magic Numbers - Take a Chance - Terceira faixa do "Those The Brokes", primeiro disco dessa nova grande banda inglesa de gordinhos lindos, que têm as oito patas cravadas nos 60. Não à toa, eles encantaram Brian Wilson, Paul McCartney e Bono ao mesmo tempo.
Snow Patrol - Make This Go On Forever - do quarto e último (por enquanto) disco dessa outra grande "nova" banda britânica, "Eyes Open". É o que a gente imagina que o Coldplay estaria fazendo senão tivesse caído nessa rota descendente desde o terceiro disco. Também tem a ver como me sinto ultimamente.
Suede - New Generation - Um hino. Gravada no segundo álbum dos caras. Brett Anderson canta muito.
Cartola - O Mundo é um Moinho e Minha - Dois dos meus sambas preferidos, ever. Música para ouvir sempre. Me lembra o Rio. Sinto cheiros enquanto escrevo, me lembram também uma noite no Salve Simpatia (um bom bar de samba nessa São Paulo de pés trocados), com uma hoje amiga linda, na qual dançávamos um samba próprio, desajeitado. "O Mundo é um Moinho" é o momento mais belo do documentário Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, quando o nosso maior sambista toca a música para seu velho pai, com o qual se reencontrou quase no fim da vida, após ter sido abandonado com 11 anos no morro da Mangueira... É vida de verdade, gente. É o nosso país, nossas raízes.
Lenine - Dois Olhos Negros - Lista de dez músicas com dez músicas não tem graça, né? A versão dessa música no MTV Acústico, com Igor Cavaleira tocando junto com a banda de Lenine é um clássico. Taí um exemplo de artista para o qual não dava bola e hoje dou o maior valor. O jeito que ele canta é lindo e o sotaque... ah, que coisa linda. Pernambuco é lindo.




segunda-feira, 18 de junho de 2007

The obscured face of Pink Floyd




É praticamente incontestável que “Dark Side Of The Moon” é o melhor disco do Pink Floyd. Junto com os também excelentes “Wish You Were Here” e “The Wall”, o álbum tem o que Roger Waters chama de “empatia”, e que eu gosto de chamar de “não-comunicação”. Não que os álbuns não comunicam, muito pelo contrário, mas o isolamento do autor em seu mundo próprio permeia os personagens de seu mundo de sonhos e imagens num formato que a todos emociona.


Bem, mas não estou aqui para falar de nenhum desses álbuns, nem da inspiração-obsessão de Waters, mas de dois discos e um filme do Pink Floyd que pouca gente dá importância, mas que são fundamentais para explicar como o baixista e a banda chegaram até “Dark Side”_ falo de “Meddle” (o melhor álbum do Pink Floyd depois “Piper At The Gates of Dawn” e antes de “Dark Side”), do filme “Live at Pompeii”, de Adrian Maben, e “Obscured by Clouds”, trilha sonora do filme “La Vallée”, de Barbet Schroeder, lançados num intervalo menor de dois anos, entre 1971 e 1972.


Portadores das coleções de canções acústicas mais lindas do Floyd e de perfomances musicais acachapantes, os dois álbuns e o filme delineiam o que seria a banda dali para a frente. Os três trabalhos também marcam o fim, na minha visão, do Floyd como banda de camaradas e o início do grupo mega-ultra-profissional, peça fundamental do show-business dos 70/80.


Primeiro: as vozes do guitarrista David Gilmour e do tecladista Richard Wright soam como uma só. Só depois de ver “Live at Pompeii” que eu descobri que “Echoes” era um dueto e não uma canção com overdubbing da voz de Gilmour. Segundo, basta olhar os créditos e sacar a variedade de parcerias que rolavam nesta fase da banda.


Em Obscured, há duas faixas instrumentais assinadas por toda a banda, três músicas assinadas por Waters e Gilmour, duas de Waters e Wright, uma de Wright e Gilmour, e uma solo de Waters, outra de Gilmour. Em Meddle não é diferente: há duas parcerias de Waters e Gilmour, uma solo de Waters e três músicas da banda toda.


Ou seja, todos finalmente buscavam um objetivo mais claro de trabalho e, nessa busca, levavam o Pink Floyd do desamparo causado pela perda de seu líder, percebido no excessivo experimentalismo entre “Saucerful of Secrets” (1968) e “Atom Heart Mother” (o disco da Vaca) (1970), ao mega-estrelato alcançado em Dark Side. A banda deixava de exibir picos qualitativos ocasionais, saindo do esquema das grandes orquestrações, para grandes canções de uma banda com quatro músicos.


Além das óbvias “One Of These Days” e “Echoes”, que poderíamos chamar de hits de Meddle, esse álbum tem, para mim, duas das mais lindas canções do Floyd: a campestre “A Pillow of Winds”, cheia de camadas e pequenos detalhes de gravação, em especial os efeitos na guitarra de Gilmour, e “Fearless”, que tem direito à torcida do Liverpool cantando “You´ll Never Walk Alone”.


Já Obscured tem quatro das minhas baladas preferidas do Floyd: “Burning Bridges”, “The Gold It´s In The...”, “Wot´s... uh the deal” e “Stay”, que tem o melhor vocal gravado por Rick Wright no Pink Floyd ever.


“Obscured...” tem ainda o alt country rock “Free Four”, quando esse rótulo sequer existia. A música já fala no tema da morte do pai de Waters: “I´m a dead man´s son” canta o baixista, antecipando a “empatia” de “Dark Side” e “The Wall”. Infelizmente, porém, é um álbum subestimado e poucos críticos fazem esse link, visível também no hard blues “Childhood´s End”, cheia de maneirismos de guitarra que seriam repetidos a exaustão por Gilmour no futuro. No DVD Clássicos do Rock sobre o “Dark Side”, por exemplo, “Obscured...” sequer é mencionado.


“Live at Pompeii” foi ousado em 1971 ao colocar a banda num teatro romano vazio, onde o som do Floyd soa incrível. Tem o mérito de registrar como era essa fase do Floyd ao vivo e o fim da fase orquestral para a de uma banda que consegui executar o que compunha. E olha que filmar o Floyd não foi fácil, foram apenas três dias de filmagem, segundo Maben relata numa entrevista nos extras do DVD, tanto que parte das canções teve que ser filmada depois num estúdio em Paris.


Por tudo isso, Pink Floyd continua me encantando e não é a toa que de vez eu sempre me pego escutando esses discos.


Other Stuff: CDs da tiragem remasterizada lançada em 1992 e que aportou no Brasil em 1994. Completos, tiveram os encartes originais repaginados, incluindo todas as letras. O DVD, lançado como a “versão do diretor”, tem excelentes extras, inclusive a versão original do filme, lançado em 1971, melhor que a nova, cheia de computações gráficas descartáveis.


Cotações:

Meddle (1971) - ****1/2

Pink Floyd Live at Pompeii – original – (1971) - ****1/2

versão do diretor – (2003) - **1/2

Obscured by Clouds (1972) - ****


terça-feira, 12 de junho de 2007

Small Faces, Humble Pie, Faces, Steve Marriot, Ronnie Lane... Gênios*


Estou completamente fascinado por Small Faces e seu lead singer, Steve Marriot. Junto com outro gênio, Ronnie Lane (que depois montou os Faces com Rod Stewart e Ron Wood, banda que ainda receberá um capítulo à parte aqui no Resenhas), o cantor baixinho e cabeçudo criou algumas das melhores pérolas pop dos anos 60, como “Itchycoo Park” e seu lado B, “I´m Only Dreaming”, “All Or Nothing”, “Here Comes The Nice”, “Afterglow”, “My Mind´s Eye”, “Song Of A Baker” e "Tin Soldier".

Por volta de outubro do ano passado estava obcecado pelo som do Small Faces e ouvia a banda o tempo inteiro (hoje ainda ouço minhas top five, salvas no MP3). Meu primeiro contato com os caras foi através do compacto simples de Itchycoo Park/I´m Only Dreaming, que eu comprei num sebo de Santos por R$ 1... Hahahahaha.


Depois, a curiosidade ficou ali, atiçando, e fiquei uns três anos percorrendo lojas de CDs atrás do vol. 32 da Definitive Collection, uma série alemã, pirataça, lançada no Brasil pela Paradoxx (às vezes aparecem uns volumes dessa série na Neto Discos e na Virtual Discos). A coletânea tem o essencial do melhor disco de carreira da banda, o imprescindível Ogden´s Nut Gonna Flake.


Se você achar, recomendo a compra, pois os discos do Small Faces originais são muito difíceis de achar e a discografia deles é uma zona, graças à fase na gravadora Immediate, do picaretaço Andrew Loog Oldham, que terminou de foder a conturbada carreira do grupo que, pasmem, nunca tocou nos Estados Unidos (para ler a biografia completa do SF no allmusic, clique aqui, é de chorar).


Entretanto, o que me fez ter certeza que os caras são gênios foi o You Tube, onde assisti uma performance impressionante de Marriot e a da banda no programa Beat Beat Beat, da TV Alemã, por volta de 1965, onde eles interpretam “Hey Girl”, “Watcha Gonna Do About It” e “Sha La La La Lee”, seus três primeiros sucessos. Marriot tem uma voz impressionante ao vivo e uma performance que, na época, deixava no chinelo Mick Jagger e Ray Davies, por exemplo.


Outra coisa que me impressiona é a semelhança do vocal de Robert Plant com o de Marriot em alguns momentos. A voz do cantor do Small Faces que, após o fim da banda, criou a boa banda de hard rock Humble Pie, que revelou Peter Frampton, é uma espécie de protótipo das maneirices dos vocalistas de hard rock, como Plant e Paul Rodgers (Free). Para quem acha a comparação bizarra, faça a checagem comparando as versões de Plant e do Small Faces para o clássico “If I Were a Carpenter”, que integra a coletânea mencionada acima.


Para quem ainda tem dúvidas de que a obra de Marriot, morto em 1991, é perene, procure ou baixe o DVD Tributo a Steve Marriot, gravado em 20 de abril de 2001 no Astoria Theatre, em Londres. O show teve as presenças de Noel Gallagher, Paul Weller, Peter Frampton, Kenny Jones e Ian MacLagan.


O Humble Pie se reuniu após trinta anos para este show e toca clássicos como “I Don´t Need No Doctor”. A versão de Weller com Noel, Jones, MacLagan e Gem Archer de “I´m Only Dreaming” é inesquecível. O DVD é achável nas bancas da região da Paulista por míseros R$ 12,90.


Other Stuff

A Definitive Collection é a coletânea com repertório mais amplo da banda, mas a qualidade do som de algumas faixas é meio tosca, daí o disco ter quatro estrelas. O DVD é mal-editado e filmado com poucos recursos, mas tem excelentes momentos musicais e poucos extras, uma desvantagem. Detalhe, no dia da gravação o Astoria bateu o recorde de venda de cervejas. O Ogden´s é essencial, mas só dá para achar na gringa.


Cotações

Definitive Collection Vol. 32 – Small Faces (2000) – Na gringa, essa coletânea, originalmente chamada Ultimate Collection, lançada pela Charly, tem a capa acima****

DVD Tributo a Steve Marriot (2004) – Na foto, a capa gringa****

Ogden´s Nut Gonna Flake (1968) - *****


* Editado a partir de texto publicado originalmente em 02 de outubro de 2006 no meu outro blog, o http://cronicasdostrintaetantos.blogspot.com


Para ler o texto original, clique em http://cronicasdostrintaetantos.blogspot.com/2006/10/o-mundo-precisa-ouvir-steve-marriot.html

domingo, 20 de maio de 2007

David Bowie, Pin Ups (1973)


Todo mundo estava fazendo discos mega pretensiosos em 1973. O Pink Floyd lançava “Dark Side Of The Moon”, o Led Zeppelin, “Houses of The Holy” e por aí vai. Mas o camaleão tinha que pensar diferente e ele resolveu, em meio a evolução sem fim que o rock sofria nos anos 70, olhar para trás e gravar as canções que gostava quando era apenas um garoto querendo ser star.


Bowie foca seu olhar bicolor em três ondas distintas da produção musical de seus conterrâneos britânicos _o movimento mod (o disco tem duas covers do The Who e uma dos Kinks), de bandas com fortes influências do blues, como o Yardbirds, Them (de Van Morrison, Irlanda) e Easybets (Nova Zelândia), e a fase Barret do Floyd.


O camaleão não é nada bobo. Procura pinçar pérolas e músicas que pudessem ainda dizer algo seis, sete ou oito anos depois de terem sido escritas, homenageia com sinceridade grupos que não tiveram grande reconhecimento além das ilhas britânicas, pelo menos na época em que as músicas escolhidas foram lançadas. E foge do óbvio ao não gravar Beatles e Stones, nem músicas que foram grandes hits nos EUA, além de modificar, para melhor várias das músicas, caso de “Sorrow”, que ganhou um belo solo de sax.


A capa é linda. Bowie, com uma roupa de ser espacial posa andrógino ao lado de Twiggy, outro ícone dos sixties, como se dissesse: “eu sou o futuro, mas o futuro estava desenhado no passado”, sem contar que que ao gravar Pin Ups o gênio criava um veio para a indústria fonográfica: o dos discos tributos gravados por uma banda ou artista, como depois fizeram John Lennon em “Rock´n´Roll”, o Mettalica em “Garage Days” e muitos e muitos outros. O disco marca ainda o fim da fase de Bowie com os Spiders From Mars e o início da radicalização Glam presente em “Diamond Dogs”.


Mesmo não sendo uma obra autoral de Bowie, o disco representa muito pra mim. É mais um que comprei na Teia de Aranha, não lembro se dica do próprio Silvio ou do Marcelo, mas que abriu minha sensibilidade para The Who, Kinks, Van Morrison (Them), Easybeats e Yardbirds (Jeff Beck), artistas e bandas que eu fui atrás depois de ouvir Pin Ups através dos mesmos amigos e das próprias fuçadas em revistas, lojas e livros (afinal não tinha Internet nesse tempo).


O vinil, que tenho até hoje, rodava loucamente lá em casa. É um disco que pega fácil em seus quarenta minutos super eficientes com uma banda coesa (os já citados Spiders com Mick Ronson no auge e Bowie dando toques de sax em várias faixas). Era mais um álbum que me dava aquele tesão de ser star. Hoje está no MP3 e causa o mesmo efeito. Depois que escuto, tenho vontade de repetir e ouvir o resto... Por isso, faixas adiante no aparelhinho, tenho a versão do Easybeats para “Friday on My Mind”.


Ouça Pin Ups e procure também os originais. A viagem valerá a pena. Eis a lista das faixas e em quais versões Bowie baseou seus covers:


Rosalyn – The Pretty Things

Here Comes The Night - Them

I Wish You Would - Yardbirds

See Emily Play – Pink Floyd

Everything´s Allright – The Mojo´s

I Can´t Explain – The Who

Friday On My Mind – Easybeats

Sorrow – The Merseys

Don´t Bring Me Down – The Animals

Shapes of Things – Yardbirds

Anyway, Anyhow, Anywhere – The Who

Where Have All The Good Times Gone – The Kinks


Cotação: ****1/2


Other stuff: Vinil. Capa íntegra com informações escritas na caligrafia do próprio Bowie na contracapa. Encarte com foto e a letra de “Where Have All...” Original, lançado no Brasil em 1977.


Cotação:*****


terça-feira, 1 de maio de 2007

Echo & The Bunnymen (1987)

“Oh how the times have changed us

Sure and now uncertain”

(All My Life)


Voz de Jim Morrison, boca de Mick Jagger, nascido em Liverpool, terra dos Beatles. Fisicamente, geograficamente e musicalmente Ian McCulloch encarnava um caldeirão de influências. No imaginário dos anos 80, não dá para excluir do chip de memória de cada pessoa que foi criança/adolescente naqueles tempos a “coletânea” de penteados presentes na capa desse disco.


Cabelos a parte, o Echo é uma banda fundamental para entender o que foram os anos 80 e este álbum homônimo de 1987, além de síntese da época (fotos em preto-e-branco de Anton Corbijn, que também fotografou o U2 e o Joy Division, só para ficar em dois ícones, arranjos com bastante teclados...) é, sem dúvida, o topo na carreira do grupo, apesar dos resmungos de McCulloch, que afirma não gostar do álbum.


Se você que está lendo esse texto agora tiver que escolher um disco do Echo, escolha este. Os motivos são vários. Além dos expostos acima, esse é último álbum com a formação completa da banda (o baterista Pete de Freitas morre em 1989 num acidente de moto), a voz e a inspiração de Ian nunca mais seriam as mesmas. Este é também o mais íntegro conjunto de canções da banda, não há margem para hesitação em nenhuma faixa e as letras são muito inspiradas.


O álbum começa com “The Game”, cujo videoclipe foi gravado no Brasil, no Rio, e gerou protestos de nacionalistas babacas por ter sido gravado em parte em botecos e porque Ian imitava o gesto de Didi quando ele se dava bem, que estava em moda na época (veja o clipe aqui). No mesmo lado, outro clássico do Echo, “Bedbugs and Ballyhoo”, que tem uma introdução de bateria fantástica e teclados de Manzarek e o refrão grudento “down on your knees again/saying please again, no, no, no...”. O lado A fecha com a belíssima balada “Bombers Bay”.


O lado B começa com um hino: “Lips Like Sugar”, cuja leitura da letra na Bizz Letras Traduzidas me fez querer conhecer Echo e também Velvet Underground, pois cita “I´ll Be Your Mirror”. A introdução é completamente inesquecível e quando essa música toca numa pista de dança é hora de se jogar. O disco fecha com “All My Life”, uma das baladas mais sinceras de todos os tempos.


Lembro bem quando comprei esse disco, na verdade uma fita K-7 original comprada na Opus do Shopping Balneário. As letras eu xeroquei do encarte do vinil de alguém. Este álbum, Joshua Tree, do U2, e a coletânea Songs To Learn and Sing, do Echo também, foram definitivamente meus discos de sing-a-long. Cantava as letras enquanto ouvia os discos e depois tentava traduzí-las. A maior parte do meu inglês eu aprendi com letras de música. Anos depois comprei toda a coleção de vinis do Echo e outros clássicos dos anos 80 com o meu primo Vandinho, que tinha virado crente.


Cotação: *****


Other stuff

Vinil, com encarte completo, contendo letras, ficha técnica e mais fotos de silhuetas bem ao estilo de Corbijn.

Cotação: *****

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Especial: Minha história com Traveling Wilburys e Tom Petty






Provavelmente a história foi assim: 1988, começa o burburinho em torno da formação de uma mega banda composta por Bob Dylan e George Harrison. Meses depois, a Veja revela a história. A banda era composta por Dylan, Jeff Lynne (ex-Love e ex-Elo), Tom Petty, Harrison e Roy Orbison (retirado de um ostracismo de 15 anos, causado por tragédias pessoais).
Por problemas contratuais com suas respectivas gravadoras, o quinteto não podia assinar o disco com seus verdadeiros nomes e eles tornavam-se, momentaneamente os irmãos Lucky (Dylan), Otis (Lynne), Nelson (Harrison) e Lefty Wilbury (Orbison), acrescidos do primo mais novo, Charlie T. Jnr (Petty).


Logo depois, o Fantástico exibiu o clipe de “Handle With Care” e contou a história triste de Roy Orbison (ele receberá um capítulo à parte neste blog), que após gravar com os Wilburys, retomou a carreira e faleceu justamente no dia que seu maior sucesso após “Pretty Woman”, “You´ve Got it”, era lançado.


“Uau!”, pensei, “eu tenho que ter esse disco”. Lembro até hoje dos meus parcos pelos de garoto de 15 anos, arrepiados com a matéria do Fantástico. Não demorou muito, juntei uns caraminguás, provavelmente catando garrafas e jornais na escadaria do Ouro Verde, com a ajuda de mamãe, claro, comprei o disco The Traveling Wilburys.

E que disco! E a razão de seu sucesso é que o supergrupo não criou super expectativas, já que manteve tudo no maior sigilo possível e não excursionou. Pela primeira vez um disco meu emocionava meu pai. “Rattled”, cantada por Lynne, tinha uma batida country acelerada, que lembrava baião com rastapé e mexia com ele, que pediu para que eu gravasse a música numa fita. Orbison emocionava com “Not Alone Anymore”, Dylan, com “Congratulations” e Harrison, com “Heading For The Light”.

Como na música, uma coisa leva a outra e comecei a pensar: e esse Tom Petty, hein??? Logo depois, em 1989 mesmo, ele lançava seu primeiro álbum solo, o Full Moon Fever, que “só” tinha “Free Fallin”, “It Won´t Back Down”, com direito a Harrison tocando violão (o clipe mostra Ringo Starr na bateria, mas quem toca mesmo é Phil Jones), “A Face in The Crowd”, e uma cover sensacional de “Feel a Whole Lot Better”, que me levou aos Byrds (que terão inúmeros capítulos a parte neste blog).


Com a popularidade dos Wilburys, que não podiam excursionar, Petty tornou-se um artista conhecido mundialmente, o que não havia conseguido plenamente com seus álbuns com o Heartbreakers até então. Aliás, não foi só Petty e Orbison que aproveitaram a onda Wilburys. Harrison, não antecipação causada pelo burburinho, lançou o lindo Cloud Nine (1987) e Mr. Dylan, Oh Mercy (1989).


Minha busca por Petty continuou. Lembro que uma tarde fui com o Mauro na casa de um colega de escola dele, que morava numa cobertura na Vila Rica (era a primeira vez que entrava numa cobertura e a primeira vez que entrava num prédio na Vila Rica, microbairro de Santos por onde só passava a caminho da escola). O cara vivia viajando para os States e adorava Petty. A cada ano, trazia as novidades, até o chato Southern Accents (1985), produzido pelo chapa Dave Stewart.


De qualquer forma, não foi lá que conheci o singelo Long After Dark (1982), que tem o clássico “You Got Lucky”, de sonoridade new wave, e afetado, claro, pelo som americano dos anos 80, cujo clipe eu conheci em um especial do Petty exibido pela Manchete. Dez anos depois, em outubro de 1992, o disco estava na minha coleção.

O álbum tem também as ótimas “Deliver Me”, “We Stand a Chance” e “The Same Old You”, com a melhor formação da banda: o parceiro Mike Campbell, na guitarra solo, o brilhante Benmont Tench (teclados), Stan Lynch (bateria) e o chapadão Howie Epstein (baixo, morto em 2003).

Dois meses depois comprei, ainda em vinil, Into The Great Wide Open (1991), o retorno de Petty com a formação clássica dos Heartbreakers, com participações do produtor e parceiro Jeff Lynne em várias faixas e de Roger McGuinn (Byrds), no coro de “All The Wrong Reasons”.

Esse disco foi o meu presente de Natal de 1992. Uma viagem por sonoridades americanas, o disco já começa por sua bela capa: um detalhe do quadro “Landscape”, de Jan Matulka, de 1926, quase naiff, na contracapa, uma bela tapeçaria, meio indígena, emoldura a foto da banda.

O álbum é perfeito. Tem o hit “Learning to Fly”, a belíssima “The Dark Of The Sun”, um álbum extremamente estradeiro, como sempre acaba sendo com Petty, com suas histórias belíssimas, como a do porteiro de boate, Eddie, que queria ser star, e vai para Hollywood tentar a sorte assim que termina o colegial, na faixa-título.


Petty ainda gravou discos belíssimos, como o solo Wildflowers (1994), mas minha busca por seu trabalho concentrou-se mais no som dele nos 80 e começo dos 90. Em 1998, em Praga, achei numa liquidação Damn The Torpedoes (1979), que abre com o tríptico clássico “Refugee”, “Here Comes My Girl” e “Even The Losers”, todas velhas conhecidas do especial da Manchete anos antes. O disco, produzido por Petty e Jimmy Iovine e o engenheiro de som Shelly Yakus, que depois trabalharam com o U2, tem uma sonoridade bem 80´s, apesar de as raízes do cantor/compositor/guitarrista estarem todas lá. Pois é, mais uma vez, uma coisa leva a outra.

P.S.: Tenho também do Petty o álbum Let Me Up, I´ve Had Enough (1987), que tem “Jammin´Me”, parceria com Dylan, mas não gosto do disco.

Other Stuff: Wilburys, Long After e Into The Great, vinis nacionais originais em edição completa, com encartes. Full Moon, edição nacional original em CD, com encarte completo, com letras e fotos. O Damn tem edição alemã, com encarte mostrando todo o catálogo de Petty até 1993.

Cotações:
Traveling Wilburys, The Traveling Wilburys (1989) - *****
Tom Petty, Full Moon Fever (1989) - *****
Tom Petty and The Heartbreakers, Damn The Torpedoes (1979) - ****1/2
Tom Petty and The Heartbreakers, Long After Dark (1982) - ***1/2
Tom Petty and The Heartbreakers, Into The Great Wide Open (1991) - ****

segunda-feira, 2 de abril de 2007

The Rolling Stones, Sticky Fingers (1971)

Muita gente não entende (nem nunca vai entender) qual o tesão de ainda se ter discos de vinil. Durante alguns anos, desde que mudei para São Paulo, ouvi muito pouco meus long plays e desejava fazer isso ardentemente. Os escutava apenas quando ía a Santos, pois em Sampa eu não tinha uma pick-up para ouvi-los, mas queria tê-los perto de mim, tanto que trouxe a maior parte deles para cá há três anos, porque comprar uma vitrola era uma meta.


Não comprei a vitrola, mas agora estou dividindo um apê com dois amigos e um deles trouxe um som com toca-discos. Aleluia! E os agudos estão todos lá, os baixos pulsantes. E qual foi minha alegria ao reouvir o meu Sticky Fingers. Um vinil quase da minha idade (a prensagem nacional da edição que eu tenho é de 1976!).


Ontem, não era o Marcelo de 32 anos que escutava aquele disco. Era o garoto de 16 anos que o comprou de segunda mão na Teia de Aranha numa tarde de sábado, provavelmente, no mês de março de 1991. E o garoto girava pela sala tentando pegar os acordes com seu violão, e cantava todas. (N. do A.: Eu tenho uma memória incrível, eu sei, mas não é caso dessa vez. Em todos os meus vinis, exceto os que eu comprei do meu primo Vanderson, quando ele virou crente, eu coloquei a data em que eu comprei na borda de dentro da capa. OK, eu sei, eu sou paranóico).


Para mim, a fase dos Stones com o Mick Taylor (1969-1975) é a melhor fase dos Stones. Keith estava viciado em heroína, Mick Jagger perambulava pelo jet set e quem segurava a banda era a banda. E nesse disco Taylor, o baixista Bill Wyman, o baterista Charlie Watts e colaboradores usuais do grupo, como o sexto Stone, Ian Stewart (piano), Billy Preston (órgão), Nicky Hopkins (piano) e Bobby Keys (sax), soam tão coesos, que nem parece que o álbum foi gravado sob circunstâncias árduas.


Você sabia, por exemplo, que, além de belos backing vocals, Keith Richards mal conseguiu tocar guitarra em “Wild Horses”? Isso só para ficar num exemplo. Na belíssima “I got the Blues”, o solo é de órgão, tocado por Preston, e por aí vai, sem menosprezar Jagger e Richards que compuseram neste álbum algumas de suas melhores canções. Além das já citadas, o disco tem “Sway”, “Brown Sugar”, “Bitch”, “Dead Flowers” e “Sister Morphine”, que Marianne Faithfull diz que é dela.


Cotação: *****


Other Stuff

Edição brasileira com a arte de Andy Warhol completa, inclusive o zipper que permite ver o que está por baixo daquele par de jeans (não sei como a censura da ditadura deixou passar essa capa). O encarte está completo, com a foto fantástica da banda, também de Warhol, e o serviço completo, informando quem tocou o quê.


Cotação: *****

quarta-feira, 28 de março de 2007

Joy Division, Closer (1980)

Lembro que, lá para 88, quando eu conheci Joy Division após a discografia da banda ter sido relançada por aqui em 1987/88 pela gravadora Stiletto, e também por meio de um programa de rádio na gloriosa 95.3 FM, em Santos, que tocou as raridades lançadas no álbum “Substance”, eu era um adolescente absolutamente impressionável.


Sobre tudo o que envolvia a banda, o que mais me marcou, claro, foi o suicídio de Ian Curtis, aos 23 anos. Me intrigava também o fato de eu não lembrar que o Jornal Nacional tivesse noticiado sua morte (eu lembrava da matéria sobre a morte do John Lennon, porque não lembraria da matéria sobre a morte de Ian Curtis? Conclusão, não deve ter havido matéria do JN mesmo, hehehe).


Portanto, ler as letras dele era a única forma de tentar entender o caso. Era minha forma de ser Maigret ou Sherlock por algumas horas. Por que ele via o filme "Woycek"? (caramba, até hoje não vi esse filme do Herzog! Algumas coisas continuam difíceis mesmo com a internet e o You Tube). Por que escutava o "The Idiot", do Iggy Pop? Essas imagens e essa música influenciaram sua decisão?


E conhecendo profundamente a obra do Joy Division e do New Order ao mesmo tempo (é bom lembrar que a obra de Curtis era relançada mundialmente ao mesmo tempo que o NO realizava uma gigantesca turnê mundial) permitiu pensar numa deliciosa versão de quadrinhos Marvel “o que teria acontecido se... Ian Curtis estivesse vivo”.


Que letras! “Procession moves on, the shouting is over”, “When routine bites hard, and ambitions are low”. Que vocabulário para um operário epilético! E que música! O disco tem “Love Will Tear Us Apart”, “The Eternal”, “Twenty Four Hours”, “Heart and Soul”, “Decades”, um lado mais hard, outro mais soft, igualmente tristes. Precisa dizer mais alguma coisa? Finalmente, a palavra minimalismo, que tanto os críticos usavam para descrever os anos 80, fazia algum sentido para mim.


Naquela época, jovem de tudo, era muito fácil ouvir Joy Division. O coração aguentava fácil. Eu era mais romântico que hoje e meus amores platônicos irrealizados tinham como trilha o Joy. A tristeza perturbadora de "Closer" ajudou na formação do meu caráter. Ontem, conversava com um amigo, e ele falou que hoje toma “Joy Division em doses homeopáticas”. É bem por aí. A dura verdade poética das cenas retratadas por Ian pode ser perigosa.

Cotação: *****


Other Stuff

Meu vinil é um segundo relançamento da obra da banda, de 92, já sem o selo da Stiletto e com a reprodução do selo original da Factory, com o tradicional logo do f na parte superior e sem descrição de A side/ B side. Lindo, completo. Estava na parede da outra casa até um mês atrás. Aqui na casa nova ele voltará para a vitrola, em pequenas doses...
Cotação: ****

domingo, 18 de março de 2007

The Last Waltz – O Último Concerto de Rock (1978)

direção: Martin Scorcese

com: The Band, Bob Dylan, Eric Clapton, Neil Young, Van Morrison, The Staples, Joni Mitchell, Neil Diamond, Muddy Waters e outros

1976. Após 16 anos na estrada, a The Band está no auge. Após acompanhar de Ronnie Hawkins a Bob Dylan, a banda havia se consagrado como “artista solo”, após excelentes discos, como “Music From Big Pink”(1968). Unilateralmente, Robbie Robertson decide documentar o que seria o último show da banda.

Robertson (guitarra e vocais), Ricky Danko (baixo, violino e vocais), Levon Helm (bateria, bandolim e vocais), Richard Emanuel (piano e vocais) e Garth Hudson (teclados e saxofone) haviam reconstruído a música americana. Anos tocando em salões empoeirados de beira de estrada deram aos caras a ginga suficiente para reinventar o country, o folk, o blues, o gospel e o rythim & blues e deles extraírem seu rock´n´roll suculento e cheio de camadas e nuances, sem descambar para o progressivo ou o hard rock, bem comuns na época.

Scorcese decidiu entrar para o projeto de graça, mesmo não entendendo muito de rock (Marty é fanático por blues e Bob Dylan), ele queria entender como é “aquilo”. Bem ao seu estilo, o baixinho invade os cenários freqüentados pela The Band e, mesmo sem jeito, banca até o entrevistador. A produção era apertada e o diretor pagou os melhores cinematografistas de hollywood do próprio bolso, mas em um determinado momento, o rolo de uma das câmeras termina e na cena final, com todos os convidados no palco, a parte cantada por Clapton não aparece.

Mas são apenas detalhes bobos e que acabam gerando grandes momentos do filme. A participação do grupo The Staples, por exemplo, foi gravada posteriormente, depois de o grupo e o diretor terem considerado a versão de “The Weight”, gravada no concerto, inferior. A banda manda bem também interpretando clássicos de seus convidados, fazendo o pano de fundo, por exemplo, para uma versão bombástica de “Caravan”, de Van Morrison, “Helpless”, de Young, com backings de Joni Mitchell, e “Forever Young”, de Dylan, para ficar apenas em três exemplos.

Entre as da The Band, a voz de Danko se sobressai, maravilhosa, em “It Makes no Difference” e “Stage Fright”. Uma pena que essa obra coletiva foi o último show para valer do grupo, que se reuniu novamente apenas poucas vezes, como na sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame, já sem Richard Emanuel, morto logo após o fim da banda. Na autobiografia da banda, Helm afirma que o guitarrista, que nunca deslanchou solo, decidiu sozinho o fim da The Band.

Só faltou uma música: “This Wheels On Fire”, parceria de Danko e Dylan, gravada pela The Band, ainda como The Hawks, e pelos Byrds.

Cotação: *****

Other stuff:

Os extras desse DVD são excelentes. Incluem making off, featurettes originais e o trailer de cinema.

Cotação: ****1/2

segunda-feira, 12 de março de 2007

Van Morrison, Moondance (1971)

Esse disco começou uma tradição bacana na minha vida musical: a de gostar de álbuns que não são o que a maioria considera os melhores. Nove entre dez críticos que conhecem um pouco a obra de Van "The Man" Morrison não apontam "Moondance" como o melhor disco dele, mas eu não tenho nenhuma dúvida em afirmar que é.
Se "Astral Weeks", o que todo mundo diz que é o melhor de todos, é introspectivo, trêmulo, com aquele baixo fretless escorregando o tempo inteiro, experimental, a voz de Van esganiçada, "Moondance", é cool, tem o baixo todo marcadinho, é altamente cantarolável, com Van cantando ora comedido, ora forte, mas sempre bem colocado, sem espaço para a dúvida. Numa comparação de um segundo: "Astral Weeks" é Miles Davis. "Moondance" é Sinatra. Sempre preferi o segundo, pois eu sou pop.

Não é difícil ouvir esse disco e sair cantando por aí, desde a balada trepa-trepa "Crazy Love", passando pelo cenário belamente descrito de "Into The Mystic", o lindo rio que corta Boston, onipresente no maravilhoso livro-filme-álbum de figurinhas "Sobre Meninos e Lobos", à beleza onírica de "Caravan", que aparece linda em muitos filmes, mas me comoveu no simples "American Pie, o Casamento".

Ray Charles e a América inspiram o irlandês Morrison. Em "These Dreams Of You", ele é citado por Van, que narra um sonho que teve no qual Ray era baleado no palco, se erguia e continuava cantando. Na gospel "Brand New Day", o nome dele não aparece, mas ele está lá, de soslaio, como um encosto extremamente bem-vindo.

Um álbum apaixonante e imperdível. Ouvi pela primeira vez na casa do Marcelo, comprei meses depois e estou sempre ouvindo e reouvindo e cantarolando.

Cotação: *****


Other Stuff:

CD importado, americano. Encarte completo, com ficha técnica da banda e todas as letras.

Cotação: ****

segunda-feira, 5 de março de 2007

U2, Boy (1980)

"A boy tries hard to be a man
His mother takes him by his hand
If he stops to think he starts to cry
Oh why”
(I Will Follow)

O punk já estava dando seus últimos suspiros quando aqueles quatro garotos da Mount Temple School, uma escola mista de Dublin, lançavam seu primeiro disco _“Boy”. Formados naquele caldo de cultura que incluía o punk, Led Zeppelin e o início do pós-punk, Paul Hewson, Dave Evans, Adam Clayton e Larry Mullen tinham iniciado, sem saber, algo completamente novo. Rápido sem ser punk; simples, mas bem tocado; épico, mas necessário, “Boy” tinha esses elementos que muita gente que entendia de rock, achava que o rock não iria mais ter.

Conheci U2 através do álbum “The Joshua Tree”, após tê-los ouvido pela primeira vez com atenção na falecida 95 FM, a rádio rock, justo quando eles estavam prestes a ganhar todos os Grammy´s naquele ano. No dia seguinte, comprei a fita cassete daquele álbum e nunca mais parei de ouvir U2. Era 1988, eu estava prestes a fazer 14 anos, mas foi quando eu ouvi “Boy”, meses depois, que tudo se encaixou.

"Boy" tem, na minha opinião, a melhor faixa de abertura de um disco dos anos 80 até hoje. “I Will Follow” sintetiza o álbum, sintetiza o que eram aqueles garotos aquele momento, cheios de sonhos, porém cheios de medos e cheios de fé em algo que até hoje só se explica quando vemos Bono cantando.

O disco é maravilhoso por inteiro. Do segué quase gótico composto por “An Cat Dubh/Into The Heart”, aos estilhaços lançados pelo petardo “Out Of Control”, às faíscas de “Electric Co.”, aos efeitos hoje quase bobos, porém perfeitamente adequados à época, usados pelo produtor Steve Lillywhite, em “Stories For Boys”, não há nada que pudesse ser mudado. O U2 estava pronto.

Cotação: *****


Other stuff:
CD brasileiro com encarte tremendamente mal editado. A edição em vinil era ruim, mas bem melhor que essa.

Cotação: *

sábado, 17 de fevereiro de 2007

Neil Young, After The Gold Rush (1970)


Ouvi esse álbum pela primeira vez na casa do Marcelo Martins (filho do Silvio), um dos cinco responsáveis pela minha educação musical. Os outros foram o Hansen, o Sílvio da Teia, o Mauro e a Bizz. Predominantemente folk/country, “After The Gold Rush” reúne na verdade o melhor dos “dois lados” de Neil Young: o hard-rocker e o cantor folk-country. Gravado 15 meses após “Everybody Knows This Is Nowhere”_ primeiro álbum do artista com a Crazy Horse (Danny Whitten, guitarra; Billy Talbot, baixo, e Ralph Molina, bateria)_, e logo depois da participação dele no supergrupo Crosby, Stills, Nash & Young.

No álbum, Young mistura a coesão da Crazy Horse com seu lado country, devidamente turbinado por outros colaboradores, como Jack Nitszche e o então adolescente Nils Lofgren, ao piano. Em pouco mais de 30 minutos, Neil Young desfila baladas perfeitas, como “Tell Me Why”, a onírica “After The Gold Rush”, as canções de amor “Only Love Can Break Your Heart” e “Don´t Let It Bring You Down”, na qual a banda pára no auge da canção para que só o piano de Lofgren e a voz e o violão de Young encham a sua cabeça de sentimento.

Young interpreta um dos maiores clássicos do country, valorizando cada palavra de “Oh, Lonesome Me”, de Don Gibson (1958), canção que começa com dois dos versos mais tristes da história da música _“Everybody's going out and having fun/ I'm just a fool for staying home and having none”. É, não é só a bunda de cowboy que dói, o coração também.

Mas no meio dessas baladas todas, Young e a Crazy Horse debulham dois rocks geniais, o protesto de “Southern Man”, que em 1974 ganhou uma resposta dos sulistas do Lynyrd Skynyrd, e “When You Dance I Can Really Love”, que traz uma grande verdade_ a música muitas vezes te põe num transe e você, por mais ridículo que isso possa parecer, puxa alguém para dançar, mesmo que não saiba o que fazer com o conjunto formado por cabeça, tronco e membros.
Cotação: *****

Other stuff
CD Europeu. Encarte completo com todas as letras escritas a mão por Young, fotos bem editadas, informações sobre os músicos que tocaram, texto de apresentação, etc.
Cotação: *****

domingo, 11 de fevereiro de 2007

The Beatles, Rubber Soul (1965)


Em 1965, intuitivamente, John, Paul, George e Ringo buscavam novos caminhos para suas carreiras nos Beatles. George e Ringo também queriam ser protagonistas. E John e Paul queriam superar os arquétipos dos primeiros anos da banda: o de que John era o rebelde e Paul, o noivo ideal.

Deu certo. Não é à toa, que o melhor rock do disco é de Paul: “Drive My Car”, e que as melhores baladas são de John: “In My Life”, “Norwegian Wood” e “Girl”. George contribui com duas músicas, a perfeita “If I Needed Someone” e o rock “Think For Yourself”. Ringo, por sua vez, é co-autor da faixa que cantou, o country “What Goes On” e, pasme, toca órgão hammond na belíssima “I´m Looking Through You”, de Paul.

A banda trazia novidades nos arranjos. As faixas não ficavam no clichê rock ou balada, e como já vinha sendo demonstrado desde 1964, o critério básico dos Beatles para incluir uma música num álbum, era ter uma boa canção, preferencialmente com alguma novidade, lírica ou musical. Percebe-se também no álbum a influência americana: Bob Dylan, sobre Lennon, na letra de “Norwegian...”, os Byrds sobre George em “If I Needed...”, cujo riff lembra muito o “The Bells of Rhymney” e ecos de Beach Boys e Byrds nos vocais de quase todas as faixas.

Todos os vocais são em dueto ou em trio, tudo com todas as terças, quintas e oitavas que vocês puderem imaginar. Outra curiosidade: em “Rubber Soul”, George toca cítara pela primeira vez num LP da banda, em “Norwegian...”. E o disco ainda tem “Nowhere Man”, balada com solo de guitarra e vocais sensacionais.
Cotação: *****


Other stuff: O encarte do CD que eu tenho (o primeiro álbum dos Beatles, que eu comprei em CD) edita muito mal o conteúdo original. As fotos, de Robert Freeman, por exemplo, estão pessimamente editadas, parece que foram escaneadas de alguma capa velha. O encarte contém informações completas sobre os arranjos vocais e quem toca os instrumentos diferentes.
Cotação: **1/2

sábado, 10 de fevereiro de 2007

Morrissey, Viva Hate (1988)



Tenho uma história bacana com esse disco. Uma das primeiras e únicas vezes que ouvi esse disco foi na casa de um amigo "barra-pesada", o Cyrano. Tão barra pesada, que eu o conheci no basquete. Com 14 anos, o cara fumava e bebia e pichava o quarto. Ó! Como pude andar com elementos perigosos como esses e sobreviver?

Éramos eu, Cyrano, André (Morrissey cover) e a mina dele ouvindo o disco no quarto do Cyrano, num dia quente de 1988, janelas baixadas, tudo escuro, fazia uns 40ºC do lado de fora. Eles bebiam e fumavam. Eu só escutava. Marcou. No mesmo dia ouvimos o "Darklands", o "Psychocandy" (ambos do J&MC), e o "Rattle and Hum", cujo filme, deixou Cyrano pirado.

Dezoito anos depois, o vinil caiu nas minhas mãos, dado de presente pelo grande Mauro. E foi legal reouvir aqueles sons. Gravado no final de 1987, logo após o fim dos Smiths, num estúdio de Bath, linda cidade do oeste inglês, onde vivem e gravam Peter Gabriel, Van Morrison e outros fodões dos anos 70/80, o disco era um exercício de auto-afirmação de Morrissey. Tirando o cantor e as letras, tudo que lembrasse Smiths tinha que, praticamente, desaparecer. Tanto que na capa estava lá o próprio cantor, fotografado por Anton Corbjn, e não algum ator-ícone dos anos 50.

Com o apoio do produtor, baixista e compositor Stephen Street, e com Vini Reilly (Durutti Column), que definitivamente não são Johnny Marr, Morrissey conseguiu dar conta do recado. Prova de que os Smiths não poderiam ser lembrados é que nenhuma das quatro músicas que fizeram mais sucesso no disco _"Everyday is Like Sunday", "Late Night. Maudlin Street", "Suedehead" e "The Ordinary Boys"_ tinham o som de guitarra-rítmica forte, o que era a principal característica do som jingle-jangle da banda. “Suedehead” tinha riff e solo de guitarra marcantes.


O disco foi bem, a carreira de Morrissey, mesmo com altos e baixos, é muito superior a de Johnny Marr. Os Smiths nunca estiveram próximos de um retorno caça-níqueis. A vida continua.

Cotação: ***1/2


Other Stuff: LP original, de 1988, com rótulo preto da EMI Parlophone, o mesmo usado nos plays dos Beatles nos relançamentos de 1987. Encarte completo com todas as letras e informações.

Cotação:****

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Bob Dylan, Highway 61 Revisited (1965)

O objetivo desse blog maluco é resenhar todos os CDs e DVDs de música que eu tenho. Decidi começar essa nova obra pelo disco "secular" de Bob Dylan, "Highway 61 Revisited", o famoso álbum de 1965 em que Robert Allen Zimmermann largou o violão e, influenciado pelo rock, resolveu se eletrificar.

Tenho uma história muito longa com esse disco, por isso o escolhi para ser o primeiro do blog. A mais provável que seja a verdadeira é que li sobre ele na Discoteca Básica da Bizz no século passado, depois comprei o vinil e, numa viagem à Europa em 1998, comprei o CD numa loja de Praga, na República Tcheca, custou 399 coroas checas. Bati o carro uma vez ouvindo exatamente este CD. Hehehehe.

Esse texto é especial, nele vou falar um pouco dos objetivos desse blog. Cada resenha terá no máximo 1.000 toques (com espaços), menos essa. Cada texto será acompanhado de uma sub resenha de até 300 toques sobre o material gráfico que acompanha a edição que eu tiver.
Não há muito o que dizer sobre Bob. Com ele, é gostar ou não gostar. E eu costumo gostar muito. Neste álbum, o céu é o limite. Ele não queria saber o que os Randais Julianos americanos iriam dizer sobre seu trabalho. Era chegada a hora de pegar a guitarra.

E o álbum começa com o maior clássico de sua carreira: “Like a Rolling Stone”. Al Kooper entrega a introdução, perfeita, no órgão, e Bob perpetra uma ilustração perfeita da loucura que era Nova York nos sixties, mas ele pode estar falando de qualquer pessoa, de qualquer cidade. O disco segue com a rápida “Tombstone Blues”, que tem um clipe fantástico, muito antes da palavra clipe existir.

E o álbum, com guitarras ou não, transita malandro entre rocks garageiros e rápidos, como “From a Buick 6” e “Highway 61”, até baladas potentes, como "Just Like Tom Thumb´s Blues", “Ballad of Thin Man”, na qual Dylan cria um de seus personagens, o tal Mr. Jones e "Queen Jane Approximately" (minha preferida, com um piano lindo e uma gaita matadora no final).
Cotação: *****

Other Stuff: A edição que eu tenho é européia, produzida na Áustria, a borda da foto da capa é branca, diferente da edição brasileira em vinil (que era de um laranja medonho). Contém a lista dos artistas que tocam com Bob, que inclui Michael Bloomfield na guitarra, e as fotos e o texto de Bob que integravam o encarte original do vinil.
Cotação: *****