sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Um filme, uma trilha (Tudo Acontece em Elizabethtown)


“Aqueles que se arriscam, vencem”, lema da Royal Air Force.


Rapaz perde o pai um dia depois de causar prejuízo de um bilhão de dólares numa grande empresa de material esportivo. No caminho para Elizabethtown, uma cidade-paisagem no Kentucky, para cuidar da cerimônia fúnebre, o rapaz conhece uma aeromoça linda (que é só a Kirsten Dunst!!!!!) de uma companhia aérea falida. Ela decide encontrá-lo e eles vivem uma linda história, cujo fim eu não vou contar.


Até porque não tem fim quando o amor é verdadeiro, até porque não há resposta lógica quando essas cadeias de coincidências nos levam ao infinito e é isso que Cameron Crowe consegue também com seu filme e com a sua trilha sonora incrível.


Ex-repórter da revista Rolling Stone, como vimos em “Quase Famosos”, Crowe além de escrever e dirigir, sempre coordena a trilha sonora de seus filmes pessoalmente, assim como Clint Eastwood, por exemplo. E a trilha sonora do filme é uma das coisas mais lindas dos últimos tempos.


Reunindo música instrumental simples composta por sua esposa, Nancy Wilson, do Heart (alguém lembra?), com Tom Petty, Elton John, My Morning Jacket, The Hombres, blues, soul, o filme se dá ao luxo de “parar” por quase 20 minutos para mostrar a viagem do personagem por dentro de sua alma, e pelo centro-sul dos Estados Unidos, rumo aos arredores de Seattle, onde vivia a sua família_ 42 horas e 11 minutos de carro.


Para seguir seu caminho, ele ganha um mapa e a trilha sonora preparada pela moça. No caminho, ele passa por Memphis, onde faz uma pausa para ir na Sun Records, no MLK Memorial, num bar onde se reuniam e bebiam as feras do blues local... Depois do Mississipi, descrito como “a musa de Mark Twain e leito de morte de Jeff Buckley”, no meio do nada, no Kansas, o rapaz finalmente cai em si, ao som de “Square One”, de Tom Petty, e “My Father´s Gun”, de Elton John.


Ele lembra do pai, a ficha cai e ele percebe que a vida é muito mais que tudo isso_ que um fracasso, um tênis, o tamanho do nosso hollerith, o egoísmo que nos leva a achar que somos o último pedaço de carne seca do Nordeste... Agora era só escolher: o caminho de casa ou uma moça loira de gorro vermelho. Se ainda tem dúvidas de qual será a escolha do nosso herói, veja a trilha desse filme, clicando aqui. Aqueles que se arriscam, vencem.


E eu quero arriscar. Quem vai?



P.S.: Obrigado Stella pelo link para o download da trilha!!!

Cotação:
Filme: *****
Trilha instrumental: ***
Soundtrack: Vol. 1 - ****1/2; Vol. 2 ****1/2 (só não leva cinco, porque não tem "Freebird" e "In The Name of Love", que tocam no filme, mas não entraram nos CDs)

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Acústicos & Valvulados – Acústico ao vivo e a cores (2007)


Para comemorar 15 anos de carreira, os gaúchos do Acústicos e Valvulados resolveram enfim gravar um CD/DVD acústico no ano passado, o “Acústico ao vivo e a cores”, gravado no belo Clube Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. E o resultado não poderia ser melhor.

O grupo, formado pelo vocalista Rafael Malenotti, o baterista e principal letrista da banda, Paulo James, o poeta, e o guitarrista e também vocalista Alexandre Móica, membros originais, acrescidos de Daniel Mossmann, o Jesus, na guitarra, e o baixista Diego Lopes, atinge seu ápice, acompanhado de diversos músicos convidados, em especial, a “sexta estrela” da banda, o guitarrista e compositor Luciano Albo, parceiro constante de James em grandes canções do grupo como “Milésima Canção de Amor”.

Acompanho o trabalho do Acústicos desde 2000, quando recebi na redação do site Zoyd, onde trabalhava, o glorioso segundo CD da banda, o primeiro homônimo, lançado em 1999. Quando ouvi aquela mistura de folk e rock, com as letras psicodélico-urbanas de Paulo James, como “Bubblegum”, “Fim de Tarde Com Você”, fiquei encantado e ofereci-me a fazer uma matéria grande com eles, cujo disco estava sendo lançado em São Paulo pela Abril, mas não rolou.

Em 2004/2005 acompanhei vários shows do Acústicos em São Paulo, sendo o mais marcante o da Funhouse, que assisti inteiro da boca do palco. Foi um show histórico, no qual fiquei até com um toco da baqueta do Paulo e no qual, na empolgação, o Rafael caiu do palco (sem conseqüências graves), aumentando mais ainda a chalaça, como eles gostam de chamar “bagunça”.

Ano passado estive em Porto Alegre e consegui os dois CDs deles que me faltavam, o segundo homônimo, de 2001, que é o mais rock de todos e que tem a música da minha vida no ano passado: “Suspenso no Espaço”, e o quinto , “Esse Som me Faz Tão Bem”, de 2005, o mais elaborado, com muito piano e violões.

Para quem não conhece o trabalho da banda, o DVD ou o CD é uma belíssima introdução ao som e ao universo lírico desse grupo que faz tudo com muito capricho, verdadeiros maneiristas que são da música bem feita, bem escrita e bem tocada, pois reúne 16 dos maiores sucessos da banda e quatro inéditas.

Entre as inéditas, Móica surpreende cantando (muito bem) “Vou com Você”, de sua lavra. “Milésima Canção de Amor”, de Albo/James, ganha uma versão melhor que a original, “Fim de Tarde Com Você” e “Quintal”, brilham como belos dias de sol. Os arranjos são ainda abrilhantados pelas participações especiais de Luciano Leães (piano e hammond), Márcio Petracco (pedal steel) e Alexandre Papel (percussão), todos da nova banda Locomotores, e Luiz Henrique Tchê Gomes, do TNT, que canta “Deus Quis”, de sua autoria, em dueto com Malenotti.

Cotação: *****

Other Stuff – Comprei o DVD, pois estava com saudade de ver a banda ao vivo (pô, quando é que o A&V vem à Sampa?). O encarte tem informações bacanas, o DVD tem poucos extras, mas inclui cenas de bastidores e uma matéria feita para o programa Patrulha, da RBS. O DVD tem uma edição limpa, com uns cortes simples, mas a fotografia e a luz são belíssimas, acima da média nacional. Na minha opinião, faltou apenas o som e o calor da platéia, cujas manifestações foram praticamente limadas, escutando-se apenas palmas no final de cada música, o que dá uma certa artificialidade, uma vez que num show dos A&V, o público canta do começo ao fim.

Cotação: ****

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ramones, Rock And Roll High School, o filme (1979)


Não tive dúvidas. Entre o happy hour com o pessoal do trampo e o convite de amigas para “um filme de rock” no CineSesc, eu não tive dúvida. Fui ver o filme. Ao chegar lá, descobri que exibiriam, de graça, “Rock And Roll High School”, de 1979 (que eu nunca tinha tido a oportunidade de assistir), com os Ramones, produzido pelo Roger Corman, e dirigido por Allan Arkush, que dirigiu também o sensacional “Get Crazy” (1983) e depois se tornou diretor de seriados.

A exibição fez parte do projeto Cine Comodoro, desenvolvido pelo diretor Carlos Reichenbach (“Garotas do ABC”, “A Ilha dos Prazeres Proibidos”, “Dois Córregos”, entre outros), e prevê a exibição de um filme raro, precedido por um curta, no caso o interessante “Das Faces e Sombras”, de Vebis Jr.

E o filme “Rock and Roll High School” é um clássico raro, exibido com legendas especialmente preparadas para a sessão. Produção B, conta a história de Riff Randell, a maior fã dos Ramones, que resolve enfrentar a nova diretora conservadora de sua escola_ a High School da história.

O que se segue é o filme teen clássico, até a entrada em cena dos Ramones, que chegam à cidade num conversível. A partir de então, o filme vira um veículo para a banda, com direito a piadas sobre fãs, groupies e jabá.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção é como os Ramones são tratados no filme. Em cena, eles não aparecem como parte do movimento punk, mas sim como os devidos rock stars que eram, mesmo na sua simplicidade.

Numa cena em que Riff sonha com seu amado Joey Ramone após fumar um baseado, entre os discos de sua coleção estão “Sticky Fingers”, dos Stones, “Who´s Next”, do Who, “Highway 61”, de Dylan, e “Road To Ruin”, dos Ramones.

Diferentemente da Inglaterra, onde a cena punk pregava a distinção radical do que era feito por Led Zeppelin, Pink Floyd, etc, no imaginário americano, o punk era rock´n´roll também, ponto. No filme, além de Ramones, ouve-se Velvet Underground (“Rock and Roll”), Alice Cooper (“Schools Out”, claro), Chuck Berry, Devo, instrumentais de Brian Eno, e até Paul and The Wings, com a belíssima “Did We Meet Somewhere Before?".

Uma pena que na cena do show, os Ramones não executem seus números ao vivo, que incluem “Teenage Lobotomy” e “Pinhead”_ coisas de uma produção barata, é claro, mas o que importa é que a mensagem dos Ramones ainda está viva, tanto que o cinema, de 350 lugares (incluindo o fumoir) estava quase lotado, o que é excelente para uma quarta-feira e para Johnny, Joey, Dee Dee e Marky.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Top Ten MP3

Esse espaço é para compartilhar o amor pela música e divulgar música boa.

Portanto, eis uma listinha de algumas das músicas que mais tenho ouvido entre cento e sessenta e poucas que estão no meu MP3. Tem de tudo, clássicos e novidades do rock e da MPB. A abrangência do gosto do autor é grande, tanto que hoje coloquei no bichinho músicas de Sinatra e Robert Plant, dois de meus cantores preferidos. Corram atrás:

Elton John - Tiny Dancer - um clássico, que ficou mais lindo ainda por meio da sensibilidade de Cameron Crowe no já clássico filme Quase Famosos.
Supergrass - Movin´- carro chefe do terceiro disco da banda, "Pumping On Your Stereo", de 1999. O Supergrass é uma banda tão boa ao vivo quanto no disco. Tenho um DVD em que a banda apresenta essa música no palco do Jools Holland e é quase tão bom quanto no disco.
Morrissey - You Have Killed Me, do novo disco dele: "Ringleader of the Tormentors", que já começa com um verso sensacional _"Pasolini is Me". Não precisa dizer mais nada. Pop perfeito com o Mozz cantando melhor que nos Smiths.
Ronnie Von - My Cherie Amour - versão em português belíssima do clássico de Stevie Wonder, gravada no encantador disco "A Misteriosa Luta do Reino de Parasempre (1969) ", na época que o Ronnie andava com o letrista, compositor e produtor Arnaldo Saccomanni, hoje o "cara" do Ídolos, no SBT, sem demérito, pois a única coisa boa daquele programa é o júri.
Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo (1971) - O álbum inteiro está espalhado no MP3 e é maravilhoso, especialmente a voz de Erasmo, simplesmente perfeita e todos os arranjos, em especial "Mundo Deserto", "Sodoma e Gomorra", "É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo", as três de Erasmo e Roberto, e "Agora Ninguém Chora Mais" (Jorge Ben), "De Noite na Cama", a melhor versão ever do clássico de Caetano, mas a minha preferida é "Não Te Quero Santa", que tem a ver com o momento que estou vivendo hoje, de Sergio Fayne, Vitor Martins e Saulo Nunes.
Small Faces - Afterglow - o que é essa introdução!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!e o refrão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Magic Numbers - Take a Chance - Terceira faixa do "Those The Brokes", primeiro disco dessa nova grande banda inglesa de gordinhos lindos, que têm as oito patas cravadas nos 60. Não à toa, eles encantaram Brian Wilson, Paul McCartney e Bono ao mesmo tempo.
Snow Patrol - Make This Go On Forever - do quarto e último (por enquanto) disco dessa outra grande "nova" banda britânica, "Eyes Open". É o que a gente imagina que o Coldplay estaria fazendo senão tivesse caído nessa rota descendente desde o terceiro disco. Também tem a ver como me sinto ultimamente.
Suede - New Generation - Um hino. Gravada no segundo álbum dos caras. Brett Anderson canta muito.
Cartola - O Mundo é um Moinho e Minha - Dois dos meus sambas preferidos, ever. Música para ouvir sempre. Me lembra o Rio. Sinto cheiros enquanto escrevo, me lembram também uma noite no Salve Simpatia (um bom bar de samba nessa São Paulo de pés trocados), com uma hoje amiga linda, na qual dançávamos um samba próprio, desajeitado. "O Mundo é um Moinho" é o momento mais belo do documentário Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, quando o nosso maior sambista toca a música para seu velho pai, com o qual se reencontrou quase no fim da vida, após ter sido abandonado com 11 anos no morro da Mangueira... É vida de verdade, gente. É o nosso país, nossas raízes.
Lenine - Dois Olhos Negros - Lista de dez músicas com dez músicas não tem graça, né? A versão dessa música no MTV Acústico, com Igor Cavaleira tocando junto com a banda de Lenine é um clássico. Taí um exemplo de artista para o qual não dava bola e hoje dou o maior valor. O jeito que ele canta é lindo e o sotaque... ah, que coisa linda. Pernambuco é lindo.




segunda-feira, 18 de junho de 2007

The obscured face of Pink Floyd




É praticamente incontestável que “Dark Side Of The Moon” é o melhor disco do Pink Floyd. Junto com os também excelentes “Wish You Were Here” e “The Wall”, o álbum tem o que Roger Waters chama de “empatia”, e que eu gosto de chamar de “não-comunicação”. Não que os álbuns não comunicam, muito pelo contrário, mas o isolamento do autor em seu mundo próprio permeia os personagens de seu mundo de sonhos e imagens num formato que a todos emociona.


Bem, mas não estou aqui para falar de nenhum desses álbuns, nem da inspiração-obsessão de Waters, mas de dois discos e um filme do Pink Floyd que pouca gente dá importância, mas que são fundamentais para explicar como o baixista e a banda chegaram até “Dark Side”_ falo de “Meddle” (o melhor álbum do Pink Floyd depois “Piper At The Gates of Dawn” e antes de “Dark Side”), do filme “Live at Pompeii”, de Adrian Maben, e “Obscured by Clouds”, trilha sonora do filme “La Vallée”, de Barbet Schroeder, lançados num intervalo menor de dois anos, entre 1971 e 1972.


Portadores das coleções de canções acústicas mais lindas do Floyd e de perfomances musicais acachapantes, os dois álbuns e o filme delineiam o que seria a banda dali para a frente. Os três trabalhos também marcam o fim, na minha visão, do Floyd como banda de camaradas e o início do grupo mega-ultra-profissional, peça fundamental do show-business dos 70/80.


Primeiro: as vozes do guitarrista David Gilmour e do tecladista Richard Wright soam como uma só. Só depois de ver “Live at Pompeii” que eu descobri que “Echoes” era um dueto e não uma canção com overdubbing da voz de Gilmour. Segundo, basta olhar os créditos e sacar a variedade de parcerias que rolavam nesta fase da banda.


Em Obscured, há duas faixas instrumentais assinadas por toda a banda, três músicas assinadas por Waters e Gilmour, duas de Waters e Wright, uma de Wright e Gilmour, e uma solo de Waters, outra de Gilmour. Em Meddle não é diferente: há duas parcerias de Waters e Gilmour, uma solo de Waters e três músicas da banda toda.


Ou seja, todos finalmente buscavam um objetivo mais claro de trabalho e, nessa busca, levavam o Pink Floyd do desamparo causado pela perda de seu líder, percebido no excessivo experimentalismo entre “Saucerful of Secrets” (1968) e “Atom Heart Mother” (o disco da Vaca) (1970), ao mega-estrelato alcançado em Dark Side. A banda deixava de exibir picos qualitativos ocasionais, saindo do esquema das grandes orquestrações, para grandes canções de uma banda com quatro músicos.


Além das óbvias “One Of These Days” e “Echoes”, que poderíamos chamar de hits de Meddle, esse álbum tem, para mim, duas das mais lindas canções do Floyd: a campestre “A Pillow of Winds”, cheia de camadas e pequenos detalhes de gravação, em especial os efeitos na guitarra de Gilmour, e “Fearless”, que tem direito à torcida do Liverpool cantando “You´ll Never Walk Alone”.


Já Obscured tem quatro das minhas baladas preferidas do Floyd: “Burning Bridges”, “The Gold It´s In The...”, “Wot´s... uh the deal” e “Stay”, que tem o melhor vocal gravado por Rick Wright no Pink Floyd ever.


“Obscured...” tem ainda o alt country rock “Free Four”, quando esse rótulo sequer existia. A música já fala no tema da morte do pai de Waters: “I´m a dead man´s son” canta o baixista, antecipando a “empatia” de “Dark Side” e “The Wall”. Infelizmente, porém, é um álbum subestimado e poucos críticos fazem esse link, visível também no hard blues “Childhood´s End”, cheia de maneirismos de guitarra que seriam repetidos a exaustão por Gilmour no futuro. No DVD Clássicos do Rock sobre o “Dark Side”, por exemplo, “Obscured...” sequer é mencionado.


“Live at Pompeii” foi ousado em 1971 ao colocar a banda num teatro romano vazio, onde o som do Floyd soa incrível. Tem o mérito de registrar como era essa fase do Floyd ao vivo e o fim da fase orquestral para a de uma banda que consegui executar o que compunha. E olha que filmar o Floyd não foi fácil, foram apenas três dias de filmagem, segundo Maben relata numa entrevista nos extras do DVD, tanto que parte das canções teve que ser filmada depois num estúdio em Paris.


Por tudo isso, Pink Floyd continua me encantando e não é a toa que de vez eu sempre me pego escutando esses discos.


Other Stuff: CDs da tiragem remasterizada lançada em 1992 e que aportou no Brasil em 1994. Completos, tiveram os encartes originais repaginados, incluindo todas as letras. O DVD, lançado como a “versão do diretor”, tem excelentes extras, inclusive a versão original do filme, lançado em 1971, melhor que a nova, cheia de computações gráficas descartáveis.


Cotações:

Meddle (1971) - ****1/2

Pink Floyd Live at Pompeii – original – (1971) - ****1/2

versão do diretor – (2003) - **1/2

Obscured by Clouds (1972) - ****


terça-feira, 12 de junho de 2007

Small Faces, Humble Pie, Faces, Steve Marriot, Ronnie Lane... Gênios*


Estou completamente fascinado por Small Faces e seu lead singer, Steve Marriot. Junto com outro gênio, Ronnie Lane (que depois montou os Faces com Rod Stewart e Ron Wood, banda que ainda receberá um capítulo à parte aqui no Resenhas), o cantor baixinho e cabeçudo criou algumas das melhores pérolas pop dos anos 60, como “Itchycoo Park” e seu lado B, “I´m Only Dreaming”, “All Or Nothing”, “Here Comes The Nice”, “Afterglow”, “My Mind´s Eye”, “Song Of A Baker” e "Tin Soldier".

Por volta de outubro do ano passado estava obcecado pelo som do Small Faces e ouvia a banda o tempo inteiro (hoje ainda ouço minhas top five, salvas no MP3). Meu primeiro contato com os caras foi através do compacto simples de Itchycoo Park/I´m Only Dreaming, que eu comprei num sebo de Santos por R$ 1... Hahahahaha.


Depois, a curiosidade ficou ali, atiçando, e fiquei uns três anos percorrendo lojas de CDs atrás do vol. 32 da Definitive Collection, uma série alemã, pirataça, lançada no Brasil pela Paradoxx (às vezes aparecem uns volumes dessa série na Neto Discos e na Virtual Discos). A coletânea tem o essencial do melhor disco de carreira da banda, o imprescindível Ogden´s Nut Gonna Flake.


Se você achar, recomendo a compra, pois os discos do Small Faces originais são muito difíceis de achar e a discografia deles é uma zona, graças à fase na gravadora Immediate, do picaretaço Andrew Loog Oldham, que terminou de foder a conturbada carreira do grupo que, pasmem, nunca tocou nos Estados Unidos (para ler a biografia completa do SF no allmusic, clique aqui, é de chorar).


Entretanto, o que me fez ter certeza que os caras são gênios foi o You Tube, onde assisti uma performance impressionante de Marriot e a da banda no programa Beat Beat Beat, da TV Alemã, por volta de 1965, onde eles interpretam “Hey Girl”, “Watcha Gonna Do About It” e “Sha La La La Lee”, seus três primeiros sucessos. Marriot tem uma voz impressionante ao vivo e uma performance que, na época, deixava no chinelo Mick Jagger e Ray Davies, por exemplo.


Outra coisa que me impressiona é a semelhança do vocal de Robert Plant com o de Marriot em alguns momentos. A voz do cantor do Small Faces que, após o fim da banda, criou a boa banda de hard rock Humble Pie, que revelou Peter Frampton, é uma espécie de protótipo das maneirices dos vocalistas de hard rock, como Plant e Paul Rodgers (Free). Para quem acha a comparação bizarra, faça a checagem comparando as versões de Plant e do Small Faces para o clássico “If I Were a Carpenter”, que integra a coletânea mencionada acima.


Para quem ainda tem dúvidas de que a obra de Marriot, morto em 1991, é perene, procure ou baixe o DVD Tributo a Steve Marriot, gravado em 20 de abril de 2001 no Astoria Theatre, em Londres. O show teve as presenças de Noel Gallagher, Paul Weller, Peter Frampton, Kenny Jones e Ian MacLagan.


O Humble Pie se reuniu após trinta anos para este show e toca clássicos como “I Don´t Need No Doctor”. A versão de Weller com Noel, Jones, MacLagan e Gem Archer de “I´m Only Dreaming” é inesquecível. O DVD é achável nas bancas da região da Paulista por míseros R$ 12,90.


Other Stuff

A Definitive Collection é a coletânea com repertório mais amplo da banda, mas a qualidade do som de algumas faixas é meio tosca, daí o disco ter quatro estrelas. O DVD é mal-editado e filmado com poucos recursos, mas tem excelentes momentos musicais e poucos extras, uma desvantagem. Detalhe, no dia da gravação o Astoria bateu o recorde de venda de cervejas. O Ogden´s é essencial, mas só dá para achar na gringa.


Cotações

Definitive Collection Vol. 32 – Small Faces (2000) – Na gringa, essa coletânea, originalmente chamada Ultimate Collection, lançada pela Charly, tem a capa acima****

DVD Tributo a Steve Marriot (2004) – Na foto, a capa gringa****

Ogden´s Nut Gonna Flake (1968) - *****


* Editado a partir de texto publicado originalmente em 02 de outubro de 2006 no meu outro blog, o http://cronicasdostrintaetantos.blogspot.com


Para ler o texto original, clique em http://cronicasdostrintaetantos.blogspot.com/2006/10/o-mundo-precisa-ouvir-steve-marriot.html

domingo, 20 de maio de 2007

David Bowie, Pin Ups (1973)


Todo mundo estava fazendo discos mega pretensiosos em 1973. O Pink Floyd lançava “Dark Side Of The Moon”, o Led Zeppelin, “Houses of The Holy” e por aí vai. Mas o camaleão tinha que pensar diferente e ele resolveu, em meio a evolução sem fim que o rock sofria nos anos 70, olhar para trás e gravar as canções que gostava quando era apenas um garoto querendo ser star.


Bowie foca seu olhar bicolor em três ondas distintas da produção musical de seus conterrâneos britânicos _o movimento mod (o disco tem duas covers do The Who e uma dos Kinks), de bandas com fortes influências do blues, como o Yardbirds, Them (de Van Morrison, Irlanda) e Easybets (Nova Zelândia), e a fase Barret do Floyd.


O camaleão não é nada bobo. Procura pinçar pérolas e músicas que pudessem ainda dizer algo seis, sete ou oito anos depois de terem sido escritas, homenageia com sinceridade grupos que não tiveram grande reconhecimento além das ilhas britânicas, pelo menos na época em que as músicas escolhidas foram lançadas. E foge do óbvio ao não gravar Beatles e Stones, nem músicas que foram grandes hits nos EUA, além de modificar, para melhor várias das músicas, caso de “Sorrow”, que ganhou um belo solo de sax.


A capa é linda. Bowie, com uma roupa de ser espacial posa andrógino ao lado de Twiggy, outro ícone dos sixties, como se dissesse: “eu sou o futuro, mas o futuro estava desenhado no passado”, sem contar que que ao gravar Pin Ups o gênio criava um veio para a indústria fonográfica: o dos discos tributos gravados por uma banda ou artista, como depois fizeram John Lennon em “Rock´n´Roll”, o Mettalica em “Garage Days” e muitos e muitos outros. O disco marca ainda o fim da fase de Bowie com os Spiders From Mars e o início da radicalização Glam presente em “Diamond Dogs”.


Mesmo não sendo uma obra autoral de Bowie, o disco representa muito pra mim. É mais um que comprei na Teia de Aranha, não lembro se dica do próprio Silvio ou do Marcelo, mas que abriu minha sensibilidade para The Who, Kinks, Van Morrison (Them), Easybeats e Yardbirds (Jeff Beck), artistas e bandas que eu fui atrás depois de ouvir Pin Ups através dos mesmos amigos e das próprias fuçadas em revistas, lojas e livros (afinal não tinha Internet nesse tempo).


O vinil, que tenho até hoje, rodava loucamente lá em casa. É um disco que pega fácil em seus quarenta minutos super eficientes com uma banda coesa (os já citados Spiders com Mick Ronson no auge e Bowie dando toques de sax em várias faixas). Era mais um álbum que me dava aquele tesão de ser star. Hoje está no MP3 e causa o mesmo efeito. Depois que escuto, tenho vontade de repetir e ouvir o resto... Por isso, faixas adiante no aparelhinho, tenho a versão do Easybeats para “Friday on My Mind”.


Ouça Pin Ups e procure também os originais. A viagem valerá a pena. Eis a lista das faixas e em quais versões Bowie baseou seus covers:


Rosalyn – The Pretty Things

Here Comes The Night - Them

I Wish You Would - Yardbirds

See Emily Play – Pink Floyd

Everything´s Allright – The Mojo´s

I Can´t Explain – The Who

Friday On My Mind – Easybeats

Sorrow – The Merseys

Don´t Bring Me Down – The Animals

Shapes of Things – Yardbirds

Anyway, Anyhow, Anywhere – The Who

Where Have All The Good Times Gone – The Kinks


Cotação: ****1/2


Other stuff: Vinil. Capa íntegra com informações escritas na caligrafia do próprio Bowie na contracapa. Encarte com foto e a letra de “Where Have All...” Original, lançado no Brasil em 1977.


Cotação:*****