sábado, 20 de outubro de 2007

Never forget Nirvana


Eu era o roqueiro clássico em 1991. Era fanático pelo básico: U2, Beatles, Stones e Pink Floyd. Conhecia alguma coisa de Lou Reed, Velvet Underground, Pixies, Echo and The Bunnymen e Bob Dylan e muito, muito Led Zeppelin, Doors, Joy Division e Jesus And Mary Chain. Me informava o máximo que podia aqueles tempos.

Lembro do belo dia em que ouvi Nevermind, do Nirvana, pela primeira vez. Foi em 1992, na casa do Xuxa, um amigo um ano mais velho, que tinha amigos mais velhos e se informava mais sobre novidades. Lembro que “On A Plain” me cativou, mas não saquei muito o resto. De cara, não entendia toda aquela gritaria, aquela guitarra pesada... Em suma, eu era um cabação.


Tinha minha namorada, estudava jornalismo numa faculdade particular na minha própria cidade, tinha minha banda de rock que me satisfazia artisticamente, onde despejava meus últimos arroubos de lirismo adolescente. Tava bom assim.


Isso seguiu assim até que um cara “esquisitão” do curso de Publicidade, o Toni, que eu considerava meio que uma entidade, me convidou para assistir ao show de uma das bandas dele, o Anywise Pub. Não lembro onde foi, sei que foi em 92 também, e a ficha começou a cair. Aos poucos, eu começava a me distanciar do som que fazia e passei a defender que o som da Nowhere, minha banda, tinha que ficar mais pesado.


No final de 92 e em 93, com o Hollywood Rock, foi o boom no Brasil do som grunge. Lembro que não gostava muito daquela coisa de clipes do Temple of The Dog, Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden, Smashing Pumpkins, Stone Temple Pilots e Nirvana o tempo todo na MTV, que ficava ligada full-time no barzinho da faculdade. Não entendia, no meio do fenômeno, o que estava acontecendo. Não entendia como bandas underground até dois anos antes estavam bombadas na TV. Nem pensei em assistir ao Nirvana no Hollywood Rock. Achava o Alice in Chains mais legal e vi os caras pela TV.


Ok, assim seguiu. O som da Nowhere foi ficando mais pesado e eu vendo a revolução grunge pela TV. Até que vi o Corsage, a outra banda do Toni tocar. Uau! Não era, definitivamente, um som grunge, mas consegui ver como uma pessoa com influências dos anos 80 poderia atualizar o som que curtia. Ali a ficha caiu de vez e eu queria conciliar meus novos gostos com os antigos e o som da minha banda, mas ainda não foi a vez do Nirvana, que cada vez parecia mais legal para mim, mesmo depois daquele disco de lados B´s, então esquisitos para mim, o Incesticide.


E, enfim, aconteceu o que até então ninguém esperava. Kurt Cobain se matava com um tiro na cabeça em abril de 94 em Seattle, pouco depois de uma overdose em Roma. Lembro que fiquei abaladíssimo e comprei o Nevermind no dia que soube da notícia. Pouco depois comprei o segundo do Alice in Chains, mais uns meses e ganhei o Ten, do Pearl Jam. Lembro do vendedor estúpido da loja onde comprei o disco. “É, só porque o cara morreu, tá todo mundo comprando essa merda de novo”.


Eu lembro de ter ouvido Nirvana o dia inteiro aquele dia e a ficha caiu totalmente. Todo mundo que curtia som sabia dos problemas com drogas de Kurt e todo mundo esperava que ele morresse de overdose um dia, mas não que se matasse com um tiro na cabeça. E em 1994! Não agora.


94 passou devagar, com pesar. Naquele ano minha banda se dedicou durante seis meses, fazendo poucos shows e ensaiando apenas três músicas, gravadas em novembro. Adorei o resultado, mas achei o som desconectado de tudo o que acontecia a nossa volta. Não aguentava mais viradas sofisticadas de bateria. Queria fazer um som pesado, eu queria alterações drásticas de dinâmica, à la Nirvana, eu queria ser sincero com a minha dor interna, eu queria fazer barulho.


Queria misturar aquela massa pesado-melódica do grunge com tudo o que havia aprendido de rock até então, especialmente o som mais dark de Jesus and Mary Chain e Joy Division. No verão de 1995, já estava montado o Embryo, powertrio de som pesado do qual me orgulho. Em maio, tocamos em nosso primeiro festival e dedicamos um cover de “About a Girl”, do Bleach, ao Kurt. O Smelly Guys, que tocou no mesmo dia, fez uma versão matadora de “Serve The Servants”, do In Utero. O Joãozinho chorou depois de tocar a música. Tinha se lembrado de muitas coisas, talvez, mas, com certeza tinha se lembrado de Cobain.


Depois disso, Nirvana e outras bandas da época entraram no repertório e influenciaram o Embryo. Nos shows posteriores fizemos “Molly´s Lips”, cover do Nirvana para uma canção do Vaselines, “Been a Son”, “Lithium” e "It Ain´t Like That", do AIC. Lembro especialmente da versão de “Lithium” que fizemos no palco do verão da prefeitura de Praia Grande, mesmo palco em que Roberto Carlos, de quem sempre fui grande fã, e Mamma´s and The Papas haviam tocado. Chovia, mas uns 70 gatos pingados ficaram pulando sob o toró. Na rua, caminhando pelo calçadão depois do show, éramos reconhecidos. Lembro de uns moleques do ABC, gritando para a gente. “Yeah, yeh, yeah...”, como no refrão da canção... Estava no céu, até ter que me virar no meio da enchente para sair da cidade, sem ônibus, com os grandes parceiros Ivair e Mauro, que havia conquistado uma garota depois do show... Sexo e rock´n´roll, perfeito! Era o meu ideal de vida. As drogas eu sempre dispensei. Não queria acabar como Kurt ou Lanney Staley...


E em agosto de 1996, eu fui trabalhar em São Paulo. Pouco antes, Mauro havia deixado o Embryo, mas o som não tinha morrido em mim...


Onze anos depois, trabalho para preservar a memória da minha história no rock´n´roll e, quem sabe, juntar a molecada para um som. No meio disso, tenho mergulhado na leitura de livros super rock´n´roll e me deparei com a biografia de Kurt aqui em casa. “Mais Pesado que o Céu”, de Charles R. Cross, 400 páginas que devorei em cerca de 10 dias. Um livro perfeito, uma aula de jornalismo, com informações de toda a família de Kurt, amigos, empresários, outros jornalistas... E, constatei, Kurt Cobain nada mais foi do que um gênio. Maluco, mas um gênio. E esse cara mudou minha vida e minha percepção da música. Obrigado, Kurt. I´ll never forget Nirvana.

Cotações:

Bleach (1989) - ****1/2

Nevermind (1991) - *****

Incesticide (1992) - ****


In Utero (1993) - ****1/2

Unplugged in New York (1993) - *****

From The Muddy Banks of The Wishkah (1996) - ****

Singles (Box Set) (1995) - ****

Other Stuff:

Todos os CDs com artes, fotos e informações. In Utero completo com letras.

Cotação: ****1/2 (para todos)

domingo, 14 de outubro de 2007

REVOLUCIÓN, ENFIM!!!!


No mês em que o assassinato de Che Guevara completou 40 anos, eis que houve, enfim, a revolução. O Radiohead, uma das maiores bandas em atividade, com um catálogo de hits realmente importante, milhões de discos vendidos no mundo todo, com um vocalista esquisitão, mas carismático, rompeu de vez o cordão umbilical com a indústria. E pela primeira vez eu me senti compelido a, enfim, baixar um disco.


O grupo lançou seu novo disco no dia 10 de outubro pela internet (www.inrainbows.com), sem ter contrato assinado com nenhuma gravadora. Os ingleses deram ao fã duas opções no lançamento: baixar as dez faixas ou adquirir uma caixa especial, cheia de mimos, por quase R$ 150 (40 libras).


O detalhe: ao optar pelo download, o cliente poderia atribuir ao disco o preço que quisesse. Pela primeira vez, uma banda tornava tangível o conceito abstrato, mas verdadeiro, de que música não tem preço. Se quisesse, o cliente poderia atribuir zero como valor e pagar somente menos de meia libra a título de taxa de administração. Eu optei por pagar 1 libra, mais a taxa, ficou algo em torno de R$ 6.


Acho absurdo o preço atualmente cobrado por downloads oficiais nos sites de gravadoras ou lojas virtuais. Geralmente, paga-se entre R$ 1,90 e R$ 2,50 por uma faixa, o que definitivamente não vale um arquivo de MP3, o qual todo mundo sabe que não tem a mesma qualidade de um arquivo de áudio em um CD. E o consumidor não fica com nada tangível em troca, apenas arquivos, que podem ser perdidos com um simples esbarrão na tecla delete.


Esse mercado acentuou a compra de faixas e as pessoas ignoram informações sobre o que estão comprando_ ou seja, a arte de colecionar discos está sendo assassinada, como vários prazeres vêm sendo aniquilados nesta virada de século. Como digo no texto de apresentação do blog, é a banalização. As coleções de discos podem desaparecer. Não há mais nada para curtir, para chamar de seu.


O Radiohead, no seu pioneirismo, tenta romper com esse formato duas vezes. Primeiro, ao tornar o download a primeira forma disponível de se obter o álbum, e, segundo, ao não vendê-lo fracionado, ao não desmontar o conceito do álbum. É esperar para ver. Eu torço para que dê certo_ uma alternativa ao que considero a impessoalidade do download.


IN RAINBOWS – Radiohead volta ao paraíso


Após a quinta audição, não tenho dúvida. In Rainbows é um álbum pop, ao contrário do que disseram muitos jornalistas nas primeiras resenhas publicadas ao longo da semana passada.


Marcado por arranjos com arpejos de guitarra, o disco é repleto de melodias assobiáveis, de assimilação um pouco difícil, sim, mas, seguramente, é uma evolução, mais suave, da linha quase convencional trilhada em “Hail To The Thief” (2003), o último CD da banda. É o melhor álbum do grupo desde OK Computer (1997). Vai lá: www.inrainbows.com e compre o seu.


15 Step – Percussão, efeitos. Aos 45 segundos, entra a guitarra. Arpejos, slides, a melodia é circular e abre o disco com estilo;


Bodysnatchers – Rock´n´roll. Guitarras sujas lembrando Sonic Youth dominam a faixa. Pop, a canção tem até uma ponte grudenta antes do batidão sujão voltar;


Nude – Você se sente nos fundos de uma sala, onde violinos são tocados próximos do teto, como nos camarotes de um teatro. Sobre o arranjo de baixo, Yorke canta maravilhosamente;


Weird Fishes/Arpeggio – A faixa começa com percussão e logo surgem os arpejos , como o próprio nome da canção diz.

Yorke canta um arremedo de refrão:

“in the deepest ocean/ the bottom of the sea/ your eyes, they turn me/ why should I stay here?”.

A batida acelera, como peixes estranhos em um aquário;


All I Need – A mais estranha e também a mais pop. A faixa começa com um belo cello, mas sua batida lembra Joy Division e leva o ouvinte ao primeiro refrão nítido do disco... “you´re all I need”;


Faust Arp – Uma faixa bem rural, passa sensações campestres. Uma mistura de Pink Floyd pré-dark side com Nick Drake;


Reckoner – Novamente arpejos e percussão. Yorke canta como se murmurasse alto. O piano marca uma transição e a faixa termina com um cello matador. É a minha preferida, de longe;


House of Cards – Com apenas 5´25, é a faixa mais longa do disco. Começa com uma guitarrinha meio bossa, meio suingada. “I don´t wanna be your friend/ I just wanna be your lover”, canta o ET Yorke. Parece minha vida!;


Jigsaw Falling Into Place – Violão e bateria acelaradinhos. Gostosa. “C´mon and let it out”, “repete” o pastor Yorke neste quase-refrão;


Videotape – Belo final de um belo álbum. Tá nublado na praia, hora de correr para casa, sem antes não deixar de apreciar o mar se tornar uma mancha cinza.


Cotação: ****1/2


Other stuff – Por enquanto não tem other stuff. Além da opção do download, a banda oferece por 40 libras uma caixa com a versão de In Rainbows em vinil, CD, um disco com algumas faixas extras e muitos bichinhos e artes do “líder” da espaçonave Radiohead. Quem encomendou a caixona vai vê-la só em dezembro, perto do Natal. No início do ano que vem, deve sair a versão normal do disco, esperamos sem pilantragens, tipo faixas novas, o que descredenciaria toda a ousadia. E que as gravadoras fiquem longe desses meninos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Um brinde ao Skank



“Quando a noite estender um manto sobre nós

Meu abrigo então será o som da sua voz”

O Som da Sua Voz (Samuel Rosa/Chico Amaral), in Carrossel


Essa história mistura o profissional com o sentimental. Era junho de 2000, e eu trabalhava como editor de música do site Zoyd quando me credenciei para a coletiva que o Skank daria em um flat da região da Paulista para falar à imprensa de São Paulo sobre o lançamento do CD Maquinarama.


Até então, tirando a capacidade inerente de fazer hits pop como “Jackie Tequila” e “Uma Partida de Futebol” e clipes bacanas, como “Mandrake e os Cubanos”, o Skank não havia me cativado, exceto uma versão sensacional, em espanhol, de “Wrapped Around Your Finger” e o primeiro sucesso deles, “Tanto”, versão de “I Want You”, de Bob Dylan, com uma letra linda de Chico Amaral.


A coletiva começou com uma audição de Maquinarama. Tudo era diferente. “Três Lados” já tocava no rádio, mas não deixava claro tudo que estava por vir. Lembro dos jornalistas boquiabertos, não acreditando (naquele tempo o Napster era uma sombra e os CDs ainda reinavam inauditos até o lançamento). O disco já era diferente até na capa, com a foto de uma obra do pós-moderno Kenny Scharff. Ah, e o baixista Lelo Zanetti estreava como compositor de uma faixa sozinho, "Canção Noturna", com letra de Chico Amaral, até hoje presente em todos os shows do Skank, tradição que se manteve nos discos seguintes.


O Skank tinha deixado o Ska em alguma esquina e se mirava em todas as suas outras influências pop. O disco já abria com uma parceria bacana de Samuel e Edgard Scandurra, em “Água e Fogo” e bebia em um pouco de tudo: Beatles, Clube da Esquina (ainda menos que no Cosmotron e Carrossel), R.E.M, música de filmes do Tarantino, Fausto Fawcett_ o que é “Balada do Amor Inabalável”, meu Deus? Pop perfeito, o mais carioca que quatro mineiros podem chegar, sem dúvida.


Enfim, tudo era diferente e a atitude tranqüila da banda na coletiva me cativou de vez. Eu era, a partir dali, um fã de carteirinha da banda e passei a prestar a atenção em tudo o que eles faziam. Depois comprei o CD Cosmotron, de 2003, e assisti dois shows daquela incrível turnê em São Paulo, inclusive a gravação do especial Multishow.


Cosmotron, aliás, tem minha música preferida do Skank, “Dois Rios”, parceria de Samuel, Lô Borges e Nando Reis, com um piano maravilhoso de Henrique Portugal, e o maior hit da história do grupo, a super-pop “Vou Deixar”. A música tocou até encher um pouco o saco, mas é inegável. É um hit massivo, impressionante. A introdução na Rickenbacker, as alterações de dinâmica, o coro no refrão, a ponte quase sussurrada. Que canção!


E eles continuam surpreendendo. Escrevo esse texto ouvindo o último CD deles, Carrossel, lançado ano passado. O álbum marcou meu relacionamento com uma pessoa muito incrível, mas tão maluquinha e confusa como eu. O relacionamento acabou, mas meu amor pela banda e o CD ficaram aqui, intocáveis na estante. É reconfortante saber que há espaço para melodia no pop-rock brasileiro, com gravações de qualidade em trabalhos excelentes de gente como o Skank, Acústicos e Valvulados, Los Hermanos, Ludov, Pato Fu e Ira!


Carrossel continua seguindo a trilha de novas parcerias abertas em Maquinarama. Hoje, além de Chico Amaral, na minha opinião, um dos três maiores letristas brasileiros, autor de versos lindos como “das volutas que moram dentro/ do meu pesamento morno”, de Fica (Maquinarama), o Skank tem como parceiros fiéis, Lô Borges, Nando Reis, Fausto Fawcett, Rodrigo Leão e Humberto Effe. E nesse disco entraram Arnaldo Antunes, em “Trancoso” e César Maurício, do Virna Lisi, autor da letra de “Seus Passos”, uma das mais belas do álbum ("nesse jogo de reflexos, a certeza me distrai...").

Na última segunda-feira, dia 1, assisti um show da turnê Carrossel, numa festa fechada de uma empresa (onde tirei a foto acima). Mesmo com a platéia carregada de plumas e paetês, proseccos e Red Labels, o Skank não deixou a peteca cair. É claro que não dá para escapar de “Uma Partida de Futebol” e “Jackie Tequila”, mas é possível ouvir pérolas como “Mil Acasos”, “Uma Canção é Pra Isso”, “Dois Rios”. Skank ao vivo ou no disco é isso, um brinde aos ouvidos e à sensibilidade.


Cotações:

Maquinarama (2000) - **** 1/2

Cosmotron (2003) - ****


Carrossel (2006) - *****

Other Stuff:

Todos os CDs com encartes completos, com arte, letras e informações.

Cotação: ***** (para todos)

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Um filme, uma trilha (Tudo Acontece em Elizabethtown)


“Aqueles que se arriscam, vencem”, lema da Royal Air Force.


Rapaz perde o pai um dia depois de causar prejuízo de um bilhão de dólares numa grande empresa de material esportivo. No caminho para Elizabethtown, uma cidade-paisagem no Kentucky, para cuidar da cerimônia fúnebre, o rapaz conhece uma aeromoça linda (que é só a Kirsten Dunst!!!!!) de uma companhia aérea falida. Ela decide encontrá-lo e eles vivem uma linda história, cujo fim eu não vou contar.


Até porque não tem fim quando o amor é verdadeiro, até porque não há resposta lógica quando essas cadeias de coincidências nos levam ao infinito e é isso que Cameron Crowe consegue também com seu filme e com a sua trilha sonora incrível.


Ex-repórter da revista Rolling Stone, como vimos em “Quase Famosos”, Crowe além de escrever e dirigir, sempre coordena a trilha sonora de seus filmes pessoalmente, assim como Clint Eastwood, por exemplo. E a trilha sonora do filme é uma das coisas mais lindas dos últimos tempos.


Reunindo música instrumental simples composta por sua esposa, Nancy Wilson, do Heart (alguém lembra?), com Tom Petty, Elton John, My Morning Jacket, The Hombres, blues, soul, o filme se dá ao luxo de “parar” por quase 20 minutos para mostrar a viagem do personagem por dentro de sua alma, e pelo centro-sul dos Estados Unidos, rumo aos arredores de Seattle, onde vivia a sua família_ 42 horas e 11 minutos de carro.


Para seguir seu caminho, ele ganha um mapa e a trilha sonora preparada pela moça. No caminho, ele passa por Memphis, onde faz uma pausa para ir na Sun Records, no MLK Memorial, num bar onde se reuniam e bebiam as feras do blues local... Depois do Mississipi, descrito como “a musa de Mark Twain e leito de morte de Jeff Buckley”, no meio do nada, no Kansas, o rapaz finalmente cai em si, ao som de “Square One”, de Tom Petty, e “My Father´s Gun”, de Elton John.


Ele lembra do pai, a ficha cai e ele percebe que a vida é muito mais que tudo isso_ que um fracasso, um tênis, o tamanho do nosso hollerith, o egoísmo que nos leva a achar que somos o último pedaço de carne seca do Nordeste... Agora era só escolher: o caminho de casa ou uma moça loira de gorro vermelho. Se ainda tem dúvidas de qual será a escolha do nosso herói, veja a trilha desse filme, clicando aqui. Aqueles que se arriscam, vencem.


E eu quero arriscar. Quem vai?



P.S.: Obrigado Stella pelo link para o download da trilha!!!

Cotação:
Filme: *****
Trilha instrumental: ***
Soundtrack: Vol. 1 - ****1/2; Vol. 2 ****1/2 (só não leva cinco, porque não tem "Freebird" e "In The Name of Love", que tocam no filme, mas não entraram nos CDs)

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Acústicos & Valvulados – Acústico ao vivo e a cores (2007)


Para comemorar 15 anos de carreira, os gaúchos do Acústicos e Valvulados resolveram enfim gravar um CD/DVD acústico no ano passado, o “Acústico ao vivo e a cores”, gravado no belo Clube Leopoldina Juvenil, em Porto Alegre. E o resultado não poderia ser melhor.

O grupo, formado pelo vocalista Rafael Malenotti, o baterista e principal letrista da banda, Paulo James, o poeta, e o guitarrista e também vocalista Alexandre Móica, membros originais, acrescidos de Daniel Mossmann, o Jesus, na guitarra, e o baixista Diego Lopes, atinge seu ápice, acompanhado de diversos músicos convidados, em especial, a “sexta estrela” da banda, o guitarrista e compositor Luciano Albo, parceiro constante de James em grandes canções do grupo como “Milésima Canção de Amor”.

Acompanho o trabalho do Acústicos desde 2000, quando recebi na redação do site Zoyd, onde trabalhava, o glorioso segundo CD da banda, o primeiro homônimo, lançado em 1999. Quando ouvi aquela mistura de folk e rock, com as letras psicodélico-urbanas de Paulo James, como “Bubblegum”, “Fim de Tarde Com Você”, fiquei encantado e ofereci-me a fazer uma matéria grande com eles, cujo disco estava sendo lançado em São Paulo pela Abril, mas não rolou.

Em 2004/2005 acompanhei vários shows do Acústicos em São Paulo, sendo o mais marcante o da Funhouse, que assisti inteiro da boca do palco. Foi um show histórico, no qual fiquei até com um toco da baqueta do Paulo e no qual, na empolgação, o Rafael caiu do palco (sem conseqüências graves), aumentando mais ainda a chalaça, como eles gostam de chamar “bagunça”.

Ano passado estive em Porto Alegre e consegui os dois CDs deles que me faltavam, o segundo homônimo, de 2001, que é o mais rock de todos e que tem a música da minha vida no ano passado: “Suspenso no Espaço”, e o quinto , “Esse Som me Faz Tão Bem”, de 2005, o mais elaborado, com muito piano e violões.

Para quem não conhece o trabalho da banda, o DVD ou o CD é uma belíssima introdução ao som e ao universo lírico desse grupo que faz tudo com muito capricho, verdadeiros maneiristas que são da música bem feita, bem escrita e bem tocada, pois reúne 16 dos maiores sucessos da banda e quatro inéditas.

Entre as inéditas, Móica surpreende cantando (muito bem) “Vou com Você”, de sua lavra. “Milésima Canção de Amor”, de Albo/James, ganha uma versão melhor que a original, “Fim de Tarde Com Você” e “Quintal”, brilham como belos dias de sol. Os arranjos são ainda abrilhantados pelas participações especiais de Luciano Leães (piano e hammond), Márcio Petracco (pedal steel) e Alexandre Papel (percussão), todos da nova banda Locomotores, e Luiz Henrique Tchê Gomes, do TNT, que canta “Deus Quis”, de sua autoria, em dueto com Malenotti.

Cotação: *****

Other Stuff – Comprei o DVD, pois estava com saudade de ver a banda ao vivo (pô, quando é que o A&V vem à Sampa?). O encarte tem informações bacanas, o DVD tem poucos extras, mas inclui cenas de bastidores e uma matéria feita para o programa Patrulha, da RBS. O DVD tem uma edição limpa, com uns cortes simples, mas a fotografia e a luz são belíssimas, acima da média nacional. Na minha opinião, faltou apenas o som e o calor da platéia, cujas manifestações foram praticamente limadas, escutando-se apenas palmas no final de cada música, o que dá uma certa artificialidade, uma vez que num show dos A&V, o público canta do começo ao fim.

Cotação: ****

quinta-feira, 5 de julho de 2007

Ramones, Rock And Roll High School, o filme (1979)


Não tive dúvidas. Entre o happy hour com o pessoal do trampo e o convite de amigas para “um filme de rock” no CineSesc, eu não tive dúvida. Fui ver o filme. Ao chegar lá, descobri que exibiriam, de graça, “Rock And Roll High School”, de 1979 (que eu nunca tinha tido a oportunidade de assistir), com os Ramones, produzido pelo Roger Corman, e dirigido por Allan Arkush, que dirigiu também o sensacional “Get Crazy” (1983) e depois se tornou diretor de seriados.

A exibição fez parte do projeto Cine Comodoro, desenvolvido pelo diretor Carlos Reichenbach (“Garotas do ABC”, “A Ilha dos Prazeres Proibidos”, “Dois Córregos”, entre outros), e prevê a exibição de um filme raro, precedido por um curta, no caso o interessante “Das Faces e Sombras”, de Vebis Jr.

E o filme “Rock and Roll High School” é um clássico raro, exibido com legendas especialmente preparadas para a sessão. Produção B, conta a história de Riff Randell, a maior fã dos Ramones, que resolve enfrentar a nova diretora conservadora de sua escola_ a High School da história.

O que se segue é o filme teen clássico, até a entrada em cena dos Ramones, que chegam à cidade num conversível. A partir de então, o filme vira um veículo para a banda, com direito a piadas sobre fãs, groupies e jabá.

Entretanto, o que mais me chamou a atenção é como os Ramones são tratados no filme. Em cena, eles não aparecem como parte do movimento punk, mas sim como os devidos rock stars que eram, mesmo na sua simplicidade.

Numa cena em que Riff sonha com seu amado Joey Ramone após fumar um baseado, entre os discos de sua coleção estão “Sticky Fingers”, dos Stones, “Who´s Next”, do Who, “Highway 61”, de Dylan, e “Road To Ruin”, dos Ramones.

Diferentemente da Inglaterra, onde a cena punk pregava a distinção radical do que era feito por Led Zeppelin, Pink Floyd, etc, no imaginário americano, o punk era rock´n´roll também, ponto. No filme, além de Ramones, ouve-se Velvet Underground (“Rock and Roll”), Alice Cooper (“Schools Out”, claro), Chuck Berry, Devo, instrumentais de Brian Eno, e até Paul and The Wings, com a belíssima “Did We Meet Somewhere Before?".

Uma pena que na cena do show, os Ramones não executem seus números ao vivo, que incluem “Teenage Lobotomy” e “Pinhead”_ coisas de uma produção barata, é claro, mas o que importa é que a mensagem dos Ramones ainda está viva, tanto que o cinema, de 350 lugares (incluindo o fumoir) estava quase lotado, o que é excelente para uma quarta-feira e para Johnny, Joey, Dee Dee e Marky.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Top Ten MP3

Esse espaço é para compartilhar o amor pela música e divulgar música boa.

Portanto, eis uma listinha de algumas das músicas que mais tenho ouvido entre cento e sessenta e poucas que estão no meu MP3. Tem de tudo, clássicos e novidades do rock e da MPB. A abrangência do gosto do autor é grande, tanto que hoje coloquei no bichinho músicas de Sinatra e Robert Plant, dois de meus cantores preferidos. Corram atrás:

Elton John - Tiny Dancer - um clássico, que ficou mais lindo ainda por meio da sensibilidade de Cameron Crowe no já clássico filme Quase Famosos.
Supergrass - Movin´- carro chefe do terceiro disco da banda, "Pumping On Your Stereo", de 1999. O Supergrass é uma banda tão boa ao vivo quanto no disco. Tenho um DVD em que a banda apresenta essa música no palco do Jools Holland e é quase tão bom quanto no disco.
Morrissey - You Have Killed Me, do novo disco dele: "Ringleader of the Tormentors", que já começa com um verso sensacional _"Pasolini is Me". Não precisa dizer mais nada. Pop perfeito com o Mozz cantando melhor que nos Smiths.
Ronnie Von - My Cherie Amour - versão em português belíssima do clássico de Stevie Wonder, gravada no encantador disco "A Misteriosa Luta do Reino de Parasempre (1969) ", na época que o Ronnie andava com o letrista, compositor e produtor Arnaldo Saccomanni, hoje o "cara" do Ídolos, no SBT, sem demérito, pois a única coisa boa daquele programa é o júri.
Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo (1971) - O álbum inteiro está espalhado no MP3 e é maravilhoso, especialmente a voz de Erasmo, simplesmente perfeita e todos os arranjos, em especial "Mundo Deserto", "Sodoma e Gomorra", "É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo", as três de Erasmo e Roberto, e "Agora Ninguém Chora Mais" (Jorge Ben), "De Noite na Cama", a melhor versão ever do clássico de Caetano, mas a minha preferida é "Não Te Quero Santa", que tem a ver com o momento que estou vivendo hoje, de Sergio Fayne, Vitor Martins e Saulo Nunes.
Small Faces - Afterglow - o que é essa introdução!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!e o refrão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Magic Numbers - Take a Chance - Terceira faixa do "Those The Brokes", primeiro disco dessa nova grande banda inglesa de gordinhos lindos, que têm as oito patas cravadas nos 60. Não à toa, eles encantaram Brian Wilson, Paul McCartney e Bono ao mesmo tempo.
Snow Patrol - Make This Go On Forever - do quarto e último (por enquanto) disco dessa outra grande "nova" banda britânica, "Eyes Open". É o que a gente imagina que o Coldplay estaria fazendo senão tivesse caído nessa rota descendente desde o terceiro disco. Também tem a ver como me sinto ultimamente.
Suede - New Generation - Um hino. Gravada no segundo álbum dos caras. Brett Anderson canta muito.
Cartola - O Mundo é um Moinho e Minha - Dois dos meus sambas preferidos, ever. Música para ouvir sempre. Me lembra o Rio. Sinto cheiros enquanto escrevo, me lembram também uma noite no Salve Simpatia (um bom bar de samba nessa São Paulo de pés trocados), com uma hoje amiga linda, na qual dançávamos um samba próprio, desajeitado. "O Mundo é um Moinho" é o momento mais belo do documentário Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, quando o nosso maior sambista toca a música para seu velho pai, com o qual se reencontrou quase no fim da vida, após ter sido abandonado com 11 anos no morro da Mangueira... É vida de verdade, gente. É o nosso país, nossas raízes.
Lenine - Dois Olhos Negros - Lista de dez músicas com dez músicas não tem graça, né? A versão dessa música no MTV Acústico, com Igor Cavaleira tocando junto com a banda de Lenine é um clássico. Taí um exemplo de artista para o qual não dava bola e hoje dou o maior valor. O jeito que ele canta é lindo e o sotaque... ah, que coisa linda. Pernambuco é lindo.