quinta-feira, 28 de junho de 2007

Top Ten MP3

Esse espaço é para compartilhar o amor pela música e divulgar música boa.

Portanto, eis uma listinha de algumas das músicas que mais tenho ouvido entre cento e sessenta e poucas que estão no meu MP3. Tem de tudo, clássicos e novidades do rock e da MPB. A abrangência do gosto do autor é grande, tanto que hoje coloquei no bichinho músicas de Sinatra e Robert Plant, dois de meus cantores preferidos. Corram atrás:

Elton John - Tiny Dancer - um clássico, que ficou mais lindo ainda por meio da sensibilidade de Cameron Crowe no já clássico filme Quase Famosos.
Supergrass - Movin´- carro chefe do terceiro disco da banda, "Pumping On Your Stereo", de 1999. O Supergrass é uma banda tão boa ao vivo quanto no disco. Tenho um DVD em que a banda apresenta essa música no palco do Jools Holland e é quase tão bom quanto no disco.
Morrissey - You Have Killed Me, do novo disco dele: "Ringleader of the Tormentors", que já começa com um verso sensacional _"Pasolini is Me". Não precisa dizer mais nada. Pop perfeito com o Mozz cantando melhor que nos Smiths.
Ronnie Von - My Cherie Amour - versão em português belíssima do clássico de Stevie Wonder, gravada no encantador disco "A Misteriosa Luta do Reino de Parasempre (1969) ", na época que o Ronnie andava com o letrista, compositor e produtor Arnaldo Saccomanni, hoje o "cara" do Ídolos, no SBT, sem demérito, pois a única coisa boa daquele programa é o júri.
Erasmo Carlos - Carlos, Erasmo (1971) - O álbum inteiro está espalhado no MP3 e é maravilhoso, especialmente a voz de Erasmo, simplesmente perfeita e todos os arranjos, em especial "Mundo Deserto", "Sodoma e Gomorra", "É Preciso Dar Um Jeito Meu Amigo", as três de Erasmo e Roberto, e "Agora Ninguém Chora Mais" (Jorge Ben), "De Noite na Cama", a melhor versão ever do clássico de Caetano, mas a minha preferida é "Não Te Quero Santa", que tem a ver com o momento que estou vivendo hoje, de Sergio Fayne, Vitor Martins e Saulo Nunes.
Small Faces - Afterglow - o que é essa introdução!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!e o refrão!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Magic Numbers - Take a Chance - Terceira faixa do "Those The Brokes", primeiro disco dessa nova grande banda inglesa de gordinhos lindos, que têm as oito patas cravadas nos 60. Não à toa, eles encantaram Brian Wilson, Paul McCartney e Bono ao mesmo tempo.
Snow Patrol - Make This Go On Forever - do quarto e último (por enquanto) disco dessa outra grande "nova" banda britânica, "Eyes Open". É o que a gente imagina que o Coldplay estaria fazendo senão tivesse caído nessa rota descendente desde o terceiro disco. Também tem a ver como me sinto ultimamente.
Suede - New Generation - Um hino. Gravada no segundo álbum dos caras. Brett Anderson canta muito.
Cartola - O Mundo é um Moinho e Minha - Dois dos meus sambas preferidos, ever. Música para ouvir sempre. Me lembra o Rio. Sinto cheiros enquanto escrevo, me lembram também uma noite no Salve Simpatia (um bom bar de samba nessa São Paulo de pés trocados), com uma hoje amiga linda, na qual dançávamos um samba próprio, desajeitado. "O Mundo é um Moinho" é o momento mais belo do documentário Cartola, de Lírio Ferreira e Hilton Lacerda, quando o nosso maior sambista toca a música para seu velho pai, com o qual se reencontrou quase no fim da vida, após ter sido abandonado com 11 anos no morro da Mangueira... É vida de verdade, gente. É o nosso país, nossas raízes.
Lenine - Dois Olhos Negros - Lista de dez músicas com dez músicas não tem graça, né? A versão dessa música no MTV Acústico, com Igor Cavaleira tocando junto com a banda de Lenine é um clássico. Taí um exemplo de artista para o qual não dava bola e hoje dou o maior valor. O jeito que ele canta é lindo e o sotaque... ah, que coisa linda. Pernambuco é lindo.




segunda-feira, 18 de junho de 2007

The obscured face of Pink Floyd




É praticamente incontestável que “Dark Side Of The Moon” é o melhor disco do Pink Floyd. Junto com os também excelentes “Wish You Were Here” e “The Wall”, o álbum tem o que Roger Waters chama de “empatia”, e que eu gosto de chamar de “não-comunicação”. Não que os álbuns não comunicam, muito pelo contrário, mas o isolamento do autor em seu mundo próprio permeia os personagens de seu mundo de sonhos e imagens num formato que a todos emociona.


Bem, mas não estou aqui para falar de nenhum desses álbuns, nem da inspiração-obsessão de Waters, mas de dois discos e um filme do Pink Floyd que pouca gente dá importância, mas que são fundamentais para explicar como o baixista e a banda chegaram até “Dark Side”_ falo de “Meddle” (o melhor álbum do Pink Floyd depois “Piper At The Gates of Dawn” e antes de “Dark Side”), do filme “Live at Pompeii”, de Adrian Maben, e “Obscured by Clouds”, trilha sonora do filme “La Vallée”, de Barbet Schroeder, lançados num intervalo menor de dois anos, entre 1971 e 1972.


Portadores das coleções de canções acústicas mais lindas do Floyd e de perfomances musicais acachapantes, os dois álbuns e o filme delineiam o que seria a banda dali para a frente. Os três trabalhos também marcam o fim, na minha visão, do Floyd como banda de camaradas e o início do grupo mega-ultra-profissional, peça fundamental do show-business dos 70/80.


Primeiro: as vozes do guitarrista David Gilmour e do tecladista Richard Wright soam como uma só. Só depois de ver “Live at Pompeii” que eu descobri que “Echoes” era um dueto e não uma canção com overdubbing da voz de Gilmour. Segundo, basta olhar os créditos e sacar a variedade de parcerias que rolavam nesta fase da banda.


Em Obscured, há duas faixas instrumentais assinadas por toda a banda, três músicas assinadas por Waters e Gilmour, duas de Waters e Wright, uma de Wright e Gilmour, e uma solo de Waters, outra de Gilmour. Em Meddle não é diferente: há duas parcerias de Waters e Gilmour, uma solo de Waters e três músicas da banda toda.


Ou seja, todos finalmente buscavam um objetivo mais claro de trabalho e, nessa busca, levavam o Pink Floyd do desamparo causado pela perda de seu líder, percebido no excessivo experimentalismo entre “Saucerful of Secrets” (1968) e “Atom Heart Mother” (o disco da Vaca) (1970), ao mega-estrelato alcançado em Dark Side. A banda deixava de exibir picos qualitativos ocasionais, saindo do esquema das grandes orquestrações, para grandes canções de uma banda com quatro músicos.


Além das óbvias “One Of These Days” e “Echoes”, que poderíamos chamar de hits de Meddle, esse álbum tem, para mim, duas das mais lindas canções do Floyd: a campestre “A Pillow of Winds”, cheia de camadas e pequenos detalhes de gravação, em especial os efeitos na guitarra de Gilmour, e “Fearless”, que tem direito à torcida do Liverpool cantando “You´ll Never Walk Alone”.


Já Obscured tem quatro das minhas baladas preferidas do Floyd: “Burning Bridges”, “The Gold It´s In The...”, “Wot´s... uh the deal” e “Stay”, que tem o melhor vocal gravado por Rick Wright no Pink Floyd ever.


“Obscured...” tem ainda o alt country rock “Free Four”, quando esse rótulo sequer existia. A música já fala no tema da morte do pai de Waters: “I´m a dead man´s son” canta o baixista, antecipando a “empatia” de “Dark Side” e “The Wall”. Infelizmente, porém, é um álbum subestimado e poucos críticos fazem esse link, visível também no hard blues “Childhood´s End”, cheia de maneirismos de guitarra que seriam repetidos a exaustão por Gilmour no futuro. No DVD Clássicos do Rock sobre o “Dark Side”, por exemplo, “Obscured...” sequer é mencionado.


“Live at Pompeii” foi ousado em 1971 ao colocar a banda num teatro romano vazio, onde o som do Floyd soa incrível. Tem o mérito de registrar como era essa fase do Floyd ao vivo e o fim da fase orquestral para a de uma banda que consegui executar o que compunha. E olha que filmar o Floyd não foi fácil, foram apenas três dias de filmagem, segundo Maben relata numa entrevista nos extras do DVD, tanto que parte das canções teve que ser filmada depois num estúdio em Paris.


Por tudo isso, Pink Floyd continua me encantando e não é a toa que de vez eu sempre me pego escutando esses discos.


Other Stuff: CDs da tiragem remasterizada lançada em 1992 e que aportou no Brasil em 1994. Completos, tiveram os encartes originais repaginados, incluindo todas as letras. O DVD, lançado como a “versão do diretor”, tem excelentes extras, inclusive a versão original do filme, lançado em 1971, melhor que a nova, cheia de computações gráficas descartáveis.


Cotações:

Meddle (1971) - ****1/2

Pink Floyd Live at Pompeii – original – (1971) - ****1/2

versão do diretor – (2003) - **1/2

Obscured by Clouds (1972) - ****


terça-feira, 12 de junho de 2007

Small Faces, Humble Pie, Faces, Steve Marriot, Ronnie Lane... Gênios*


Estou completamente fascinado por Small Faces e seu lead singer, Steve Marriot. Junto com outro gênio, Ronnie Lane (que depois montou os Faces com Rod Stewart e Ron Wood, banda que ainda receberá um capítulo à parte aqui no Resenhas), o cantor baixinho e cabeçudo criou algumas das melhores pérolas pop dos anos 60, como “Itchycoo Park” e seu lado B, “I´m Only Dreaming”, “All Or Nothing”, “Here Comes The Nice”, “Afterglow”, “My Mind´s Eye”, “Song Of A Baker” e "Tin Soldier".

Por volta de outubro do ano passado estava obcecado pelo som do Small Faces e ouvia a banda o tempo inteiro (hoje ainda ouço minhas top five, salvas no MP3). Meu primeiro contato com os caras foi através do compacto simples de Itchycoo Park/I´m Only Dreaming, que eu comprei num sebo de Santos por R$ 1... Hahahahaha.


Depois, a curiosidade ficou ali, atiçando, e fiquei uns três anos percorrendo lojas de CDs atrás do vol. 32 da Definitive Collection, uma série alemã, pirataça, lançada no Brasil pela Paradoxx (às vezes aparecem uns volumes dessa série na Neto Discos e na Virtual Discos). A coletânea tem o essencial do melhor disco de carreira da banda, o imprescindível Ogden´s Nut Gonna Flake.


Se você achar, recomendo a compra, pois os discos do Small Faces originais são muito difíceis de achar e a discografia deles é uma zona, graças à fase na gravadora Immediate, do picaretaço Andrew Loog Oldham, que terminou de foder a conturbada carreira do grupo que, pasmem, nunca tocou nos Estados Unidos (para ler a biografia completa do SF no allmusic, clique aqui, é de chorar).


Entretanto, o que me fez ter certeza que os caras são gênios foi o You Tube, onde assisti uma performance impressionante de Marriot e a da banda no programa Beat Beat Beat, da TV Alemã, por volta de 1965, onde eles interpretam “Hey Girl”, “Watcha Gonna Do About It” e “Sha La La La Lee”, seus três primeiros sucessos. Marriot tem uma voz impressionante ao vivo e uma performance que, na época, deixava no chinelo Mick Jagger e Ray Davies, por exemplo.


Outra coisa que me impressiona é a semelhança do vocal de Robert Plant com o de Marriot em alguns momentos. A voz do cantor do Small Faces que, após o fim da banda, criou a boa banda de hard rock Humble Pie, que revelou Peter Frampton, é uma espécie de protótipo das maneirices dos vocalistas de hard rock, como Plant e Paul Rodgers (Free). Para quem acha a comparação bizarra, faça a checagem comparando as versões de Plant e do Small Faces para o clássico “If I Were a Carpenter”, que integra a coletânea mencionada acima.


Para quem ainda tem dúvidas de que a obra de Marriot, morto em 1991, é perene, procure ou baixe o DVD Tributo a Steve Marriot, gravado em 20 de abril de 2001 no Astoria Theatre, em Londres. O show teve as presenças de Noel Gallagher, Paul Weller, Peter Frampton, Kenny Jones e Ian MacLagan.


O Humble Pie se reuniu após trinta anos para este show e toca clássicos como “I Don´t Need No Doctor”. A versão de Weller com Noel, Jones, MacLagan e Gem Archer de “I´m Only Dreaming” é inesquecível. O DVD é achável nas bancas da região da Paulista por míseros R$ 12,90.


Other Stuff

A Definitive Collection é a coletânea com repertório mais amplo da banda, mas a qualidade do som de algumas faixas é meio tosca, daí o disco ter quatro estrelas. O DVD é mal-editado e filmado com poucos recursos, mas tem excelentes momentos musicais e poucos extras, uma desvantagem. Detalhe, no dia da gravação o Astoria bateu o recorde de venda de cervejas. O Ogden´s é essencial, mas só dá para achar na gringa.


Cotações

Definitive Collection Vol. 32 – Small Faces (2000) – Na gringa, essa coletânea, originalmente chamada Ultimate Collection, lançada pela Charly, tem a capa acima****

DVD Tributo a Steve Marriot (2004) – Na foto, a capa gringa****

Ogden´s Nut Gonna Flake (1968) - *****


* Editado a partir de texto publicado originalmente em 02 de outubro de 2006 no meu outro blog, o http://cronicasdostrintaetantos.blogspot.com


Para ler o texto original, clique em http://cronicasdostrintaetantos.blogspot.com/2006/10/o-mundo-precisa-ouvir-steve-marriot.html

domingo, 20 de maio de 2007

David Bowie, Pin Ups (1973)


Todo mundo estava fazendo discos mega pretensiosos em 1973. O Pink Floyd lançava “Dark Side Of The Moon”, o Led Zeppelin, “Houses of The Holy” e por aí vai. Mas o camaleão tinha que pensar diferente e ele resolveu, em meio a evolução sem fim que o rock sofria nos anos 70, olhar para trás e gravar as canções que gostava quando era apenas um garoto querendo ser star.


Bowie foca seu olhar bicolor em três ondas distintas da produção musical de seus conterrâneos britânicos _o movimento mod (o disco tem duas covers do The Who e uma dos Kinks), de bandas com fortes influências do blues, como o Yardbirds, Them (de Van Morrison, Irlanda) e Easybets (Nova Zelândia), e a fase Barret do Floyd.


O camaleão não é nada bobo. Procura pinçar pérolas e músicas que pudessem ainda dizer algo seis, sete ou oito anos depois de terem sido escritas, homenageia com sinceridade grupos que não tiveram grande reconhecimento além das ilhas britânicas, pelo menos na época em que as músicas escolhidas foram lançadas. E foge do óbvio ao não gravar Beatles e Stones, nem músicas que foram grandes hits nos EUA, além de modificar, para melhor várias das músicas, caso de “Sorrow”, que ganhou um belo solo de sax.


A capa é linda. Bowie, com uma roupa de ser espacial posa andrógino ao lado de Twiggy, outro ícone dos sixties, como se dissesse: “eu sou o futuro, mas o futuro estava desenhado no passado”, sem contar que que ao gravar Pin Ups o gênio criava um veio para a indústria fonográfica: o dos discos tributos gravados por uma banda ou artista, como depois fizeram John Lennon em “Rock´n´Roll”, o Mettalica em “Garage Days” e muitos e muitos outros. O disco marca ainda o fim da fase de Bowie com os Spiders From Mars e o início da radicalização Glam presente em “Diamond Dogs”.


Mesmo não sendo uma obra autoral de Bowie, o disco representa muito pra mim. É mais um que comprei na Teia de Aranha, não lembro se dica do próprio Silvio ou do Marcelo, mas que abriu minha sensibilidade para The Who, Kinks, Van Morrison (Them), Easybeats e Yardbirds (Jeff Beck), artistas e bandas que eu fui atrás depois de ouvir Pin Ups através dos mesmos amigos e das próprias fuçadas em revistas, lojas e livros (afinal não tinha Internet nesse tempo).


O vinil, que tenho até hoje, rodava loucamente lá em casa. É um disco que pega fácil em seus quarenta minutos super eficientes com uma banda coesa (os já citados Spiders com Mick Ronson no auge e Bowie dando toques de sax em várias faixas). Era mais um álbum que me dava aquele tesão de ser star. Hoje está no MP3 e causa o mesmo efeito. Depois que escuto, tenho vontade de repetir e ouvir o resto... Por isso, faixas adiante no aparelhinho, tenho a versão do Easybeats para “Friday on My Mind”.


Ouça Pin Ups e procure também os originais. A viagem valerá a pena. Eis a lista das faixas e em quais versões Bowie baseou seus covers:


Rosalyn – The Pretty Things

Here Comes The Night - Them

I Wish You Would - Yardbirds

See Emily Play – Pink Floyd

Everything´s Allright – The Mojo´s

I Can´t Explain – The Who

Friday On My Mind – Easybeats

Sorrow – The Merseys

Don´t Bring Me Down – The Animals

Shapes of Things – Yardbirds

Anyway, Anyhow, Anywhere – The Who

Where Have All The Good Times Gone – The Kinks


Cotação: ****1/2


Other stuff: Vinil. Capa íntegra com informações escritas na caligrafia do próprio Bowie na contracapa. Encarte com foto e a letra de “Where Have All...” Original, lançado no Brasil em 1977.


Cotação:*****


terça-feira, 1 de maio de 2007

Echo & The Bunnymen (1987)

“Oh how the times have changed us

Sure and now uncertain”

(All My Life)


Voz de Jim Morrison, boca de Mick Jagger, nascido em Liverpool, terra dos Beatles. Fisicamente, geograficamente e musicalmente Ian McCulloch encarnava um caldeirão de influências. No imaginário dos anos 80, não dá para excluir do chip de memória de cada pessoa que foi criança/adolescente naqueles tempos a “coletânea” de penteados presentes na capa desse disco.


Cabelos a parte, o Echo é uma banda fundamental para entender o que foram os anos 80 e este álbum homônimo de 1987, além de síntese da época (fotos em preto-e-branco de Anton Corbijn, que também fotografou o U2 e o Joy Division, só para ficar em dois ícones, arranjos com bastante teclados...) é, sem dúvida, o topo na carreira do grupo, apesar dos resmungos de McCulloch, que afirma não gostar do álbum.


Se você que está lendo esse texto agora tiver que escolher um disco do Echo, escolha este. Os motivos são vários. Além dos expostos acima, esse é último álbum com a formação completa da banda (o baterista Pete de Freitas morre em 1989 num acidente de moto), a voz e a inspiração de Ian nunca mais seriam as mesmas. Este é também o mais íntegro conjunto de canções da banda, não há margem para hesitação em nenhuma faixa e as letras são muito inspiradas.


O álbum começa com “The Game”, cujo videoclipe foi gravado no Brasil, no Rio, e gerou protestos de nacionalistas babacas por ter sido gravado em parte em botecos e porque Ian imitava o gesto de Didi quando ele se dava bem, que estava em moda na época (veja o clipe aqui). No mesmo lado, outro clássico do Echo, “Bedbugs and Ballyhoo”, que tem uma introdução de bateria fantástica e teclados de Manzarek e o refrão grudento “down on your knees again/saying please again, no, no, no...”. O lado A fecha com a belíssima balada “Bombers Bay”.


O lado B começa com um hino: “Lips Like Sugar”, cuja leitura da letra na Bizz Letras Traduzidas me fez querer conhecer Echo e também Velvet Underground, pois cita “I´ll Be Your Mirror”. A introdução é completamente inesquecível e quando essa música toca numa pista de dança é hora de se jogar. O disco fecha com “All My Life”, uma das baladas mais sinceras de todos os tempos.


Lembro bem quando comprei esse disco, na verdade uma fita K-7 original comprada na Opus do Shopping Balneário. As letras eu xeroquei do encarte do vinil de alguém. Este álbum, Joshua Tree, do U2, e a coletânea Songs To Learn and Sing, do Echo também, foram definitivamente meus discos de sing-a-long. Cantava as letras enquanto ouvia os discos e depois tentava traduzí-las. A maior parte do meu inglês eu aprendi com letras de música. Anos depois comprei toda a coleção de vinis do Echo e outros clássicos dos anos 80 com o meu primo Vandinho, que tinha virado crente.


Cotação: *****


Other stuff

Vinil, com encarte completo, contendo letras, ficha técnica e mais fotos de silhuetas bem ao estilo de Corbijn.

Cotação: *****

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Especial: Minha história com Traveling Wilburys e Tom Petty






Provavelmente a história foi assim: 1988, começa o burburinho em torno da formação de uma mega banda composta por Bob Dylan e George Harrison. Meses depois, a Veja revela a história. A banda era composta por Dylan, Jeff Lynne (ex-Love e ex-Elo), Tom Petty, Harrison e Roy Orbison (retirado de um ostracismo de 15 anos, causado por tragédias pessoais).
Por problemas contratuais com suas respectivas gravadoras, o quinteto não podia assinar o disco com seus verdadeiros nomes e eles tornavam-se, momentaneamente os irmãos Lucky (Dylan), Otis (Lynne), Nelson (Harrison) e Lefty Wilbury (Orbison), acrescidos do primo mais novo, Charlie T. Jnr (Petty).


Logo depois, o Fantástico exibiu o clipe de “Handle With Care” e contou a história triste de Roy Orbison (ele receberá um capítulo à parte neste blog), que após gravar com os Wilburys, retomou a carreira e faleceu justamente no dia que seu maior sucesso após “Pretty Woman”, “You´ve Got it”, era lançado.


“Uau!”, pensei, “eu tenho que ter esse disco”. Lembro até hoje dos meus parcos pelos de garoto de 15 anos, arrepiados com a matéria do Fantástico. Não demorou muito, juntei uns caraminguás, provavelmente catando garrafas e jornais na escadaria do Ouro Verde, com a ajuda de mamãe, claro, comprei o disco The Traveling Wilburys.

E que disco! E a razão de seu sucesso é que o supergrupo não criou super expectativas, já que manteve tudo no maior sigilo possível e não excursionou. Pela primeira vez um disco meu emocionava meu pai. “Rattled”, cantada por Lynne, tinha uma batida country acelerada, que lembrava baião com rastapé e mexia com ele, que pediu para que eu gravasse a música numa fita. Orbison emocionava com “Not Alone Anymore”, Dylan, com “Congratulations” e Harrison, com “Heading For The Light”.

Como na música, uma coisa leva a outra e comecei a pensar: e esse Tom Petty, hein??? Logo depois, em 1989 mesmo, ele lançava seu primeiro álbum solo, o Full Moon Fever, que “só” tinha “Free Fallin”, “It Won´t Back Down”, com direito a Harrison tocando violão (o clipe mostra Ringo Starr na bateria, mas quem toca mesmo é Phil Jones), “A Face in The Crowd”, e uma cover sensacional de “Feel a Whole Lot Better”, que me levou aos Byrds (que terão inúmeros capítulos a parte neste blog).


Com a popularidade dos Wilburys, que não podiam excursionar, Petty tornou-se um artista conhecido mundialmente, o que não havia conseguido plenamente com seus álbuns com o Heartbreakers até então. Aliás, não foi só Petty e Orbison que aproveitaram a onda Wilburys. Harrison, não antecipação causada pelo burburinho, lançou o lindo Cloud Nine (1987) e Mr. Dylan, Oh Mercy (1989).


Minha busca por Petty continuou. Lembro que uma tarde fui com o Mauro na casa de um colega de escola dele, que morava numa cobertura na Vila Rica (era a primeira vez que entrava numa cobertura e a primeira vez que entrava num prédio na Vila Rica, microbairro de Santos por onde só passava a caminho da escola). O cara vivia viajando para os States e adorava Petty. A cada ano, trazia as novidades, até o chato Southern Accents (1985), produzido pelo chapa Dave Stewart.


De qualquer forma, não foi lá que conheci o singelo Long After Dark (1982), que tem o clássico “You Got Lucky”, de sonoridade new wave, e afetado, claro, pelo som americano dos anos 80, cujo clipe eu conheci em um especial do Petty exibido pela Manchete. Dez anos depois, em outubro de 1992, o disco estava na minha coleção.

O álbum tem também as ótimas “Deliver Me”, “We Stand a Chance” e “The Same Old You”, com a melhor formação da banda: o parceiro Mike Campbell, na guitarra solo, o brilhante Benmont Tench (teclados), Stan Lynch (bateria) e o chapadão Howie Epstein (baixo, morto em 2003).

Dois meses depois comprei, ainda em vinil, Into The Great Wide Open (1991), o retorno de Petty com a formação clássica dos Heartbreakers, com participações do produtor e parceiro Jeff Lynne em várias faixas e de Roger McGuinn (Byrds), no coro de “All The Wrong Reasons”.

Esse disco foi o meu presente de Natal de 1992. Uma viagem por sonoridades americanas, o disco já começa por sua bela capa: um detalhe do quadro “Landscape”, de Jan Matulka, de 1926, quase naiff, na contracapa, uma bela tapeçaria, meio indígena, emoldura a foto da banda.

O álbum é perfeito. Tem o hit “Learning to Fly”, a belíssima “The Dark Of The Sun”, um álbum extremamente estradeiro, como sempre acaba sendo com Petty, com suas histórias belíssimas, como a do porteiro de boate, Eddie, que queria ser star, e vai para Hollywood tentar a sorte assim que termina o colegial, na faixa-título.


Petty ainda gravou discos belíssimos, como o solo Wildflowers (1994), mas minha busca por seu trabalho concentrou-se mais no som dele nos 80 e começo dos 90. Em 1998, em Praga, achei numa liquidação Damn The Torpedoes (1979), que abre com o tríptico clássico “Refugee”, “Here Comes My Girl” e “Even The Losers”, todas velhas conhecidas do especial da Manchete anos antes. O disco, produzido por Petty e Jimmy Iovine e o engenheiro de som Shelly Yakus, que depois trabalharam com o U2, tem uma sonoridade bem 80´s, apesar de as raízes do cantor/compositor/guitarrista estarem todas lá. Pois é, mais uma vez, uma coisa leva a outra.

P.S.: Tenho também do Petty o álbum Let Me Up, I´ve Had Enough (1987), que tem “Jammin´Me”, parceria com Dylan, mas não gosto do disco.

Other Stuff: Wilburys, Long After e Into The Great, vinis nacionais originais em edição completa, com encartes. Full Moon, edição nacional original em CD, com encarte completo, com letras e fotos. O Damn tem edição alemã, com encarte mostrando todo o catálogo de Petty até 1993.

Cotações:
Traveling Wilburys, The Traveling Wilburys (1989) - *****
Tom Petty, Full Moon Fever (1989) - *****
Tom Petty and The Heartbreakers, Damn The Torpedoes (1979) - ****1/2
Tom Petty and The Heartbreakers, Long After Dark (1982) - ***1/2
Tom Petty and The Heartbreakers, Into The Great Wide Open (1991) - ****

segunda-feira, 2 de abril de 2007

The Rolling Stones, Sticky Fingers (1971)

Muita gente não entende (nem nunca vai entender) qual o tesão de ainda se ter discos de vinil. Durante alguns anos, desde que mudei para São Paulo, ouvi muito pouco meus long plays e desejava fazer isso ardentemente. Os escutava apenas quando ía a Santos, pois em Sampa eu não tinha uma pick-up para ouvi-los, mas queria tê-los perto de mim, tanto que trouxe a maior parte deles para cá há três anos, porque comprar uma vitrola era uma meta.


Não comprei a vitrola, mas agora estou dividindo um apê com dois amigos e um deles trouxe um som com toca-discos. Aleluia! E os agudos estão todos lá, os baixos pulsantes. E qual foi minha alegria ao reouvir o meu Sticky Fingers. Um vinil quase da minha idade (a prensagem nacional da edição que eu tenho é de 1976!).


Ontem, não era o Marcelo de 32 anos que escutava aquele disco. Era o garoto de 16 anos que o comprou de segunda mão na Teia de Aranha numa tarde de sábado, provavelmente, no mês de março de 1991. E o garoto girava pela sala tentando pegar os acordes com seu violão, e cantava todas. (N. do A.: Eu tenho uma memória incrível, eu sei, mas não é caso dessa vez. Em todos os meus vinis, exceto os que eu comprei do meu primo Vanderson, quando ele virou crente, eu coloquei a data em que eu comprei na borda de dentro da capa. OK, eu sei, eu sou paranóico).


Para mim, a fase dos Stones com o Mick Taylor (1969-1975) é a melhor fase dos Stones. Keith estava viciado em heroína, Mick Jagger perambulava pelo jet set e quem segurava a banda era a banda. E nesse disco Taylor, o baixista Bill Wyman, o baterista Charlie Watts e colaboradores usuais do grupo, como o sexto Stone, Ian Stewart (piano), Billy Preston (órgão), Nicky Hopkins (piano) e Bobby Keys (sax), soam tão coesos, que nem parece que o álbum foi gravado sob circunstâncias árduas.


Você sabia, por exemplo, que, além de belos backing vocals, Keith Richards mal conseguiu tocar guitarra em “Wild Horses”? Isso só para ficar num exemplo. Na belíssima “I got the Blues”, o solo é de órgão, tocado por Preston, e por aí vai, sem menosprezar Jagger e Richards que compuseram neste álbum algumas de suas melhores canções. Além das já citadas, o disco tem “Sway”, “Brown Sugar”, “Bitch”, “Dead Flowers” e “Sister Morphine”, que Marianne Faithfull diz que é dela.


Cotação: *****


Other Stuff

Edição brasileira com a arte de Andy Warhol completa, inclusive o zipper que permite ver o que está por baixo daquele par de jeans (não sei como a censura da ditadura deixou passar essa capa). O encarte está completo, com a foto fantástica da banda, também de Warhol, e o serviço completo, informando quem tocou o quê.


Cotação: *****