sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pais, amor, filhos & The Beatles



Hoje é um dia especial para mim. Meu amor me armou uma surpresa. Disse que iria comprar livros, levou minha filha junto, e as duas voltaram com um Álbum Branco (1968) dos Beatles. Uau! Estava louco para ouvir esse clássico na versão remasterizada e fiquei mais uma vez impressionado. As castigadas caixas de meu portátil, que já está comigo há 12 anos, pareciam as de um velho estéreo modular dos anos 70, graças ao som da nova edição.

No quarto de minha filha está um quadro que eu montei toscamente em 1992, aos 17 anos. Em cima de uma moldura velha que achei no lixo do prédio, colei papel pardo e sobre ela as fotos dos quatro Beatles que faziam parte da minha edição em vinil do Álbum Branco. Sobrou um espaço e, em cima, escrevi “The Beatles”, com os tipos mais parecidos que consegui com a minha tosca técnica de desenho, imitando o logotipo da bateria do Ringo, o mesmo usado hoje, ladeados pelas inscrições 1962-1992, para celebrar os 30 anos do primeiro disco dos Beatles, tudo coberto com papel contact para disfarçar a melequeira feita com cola.

Quando mudei para o apartamento que vivo agora, eu quase aposentei o quadro tosco (na foto menor, um detalhe do quarto dela). Quando comentei a ideia com minha filha, então com 6 anos, ela pediu o quadro para ela. Perguntei se ela tinha certeza, se ela não iria acordar à noite assustada pela cara do John ou pelo nariz do Ringo, mas ela disse que não. Fiquei muito orgulhoso, lógico, pois ela gosta das coisas que eu gosto. E, hoje, quando ouvia meu presentinho, ela sabia dizer se quem cantava as músicas era o John ou o Paul, os quais ela já distingue. Logo ela saberá os nomes dos outros dois, eu tenho certeza.

Afinal, tudo começou em 1980. Eu tinha seis anos quando John morreu e ouvia Beatles, àquela altura, eventualmente. A coisa meio que entrava por um lado e saía pelo outro. Lembro de um programa de TV, quando era bem pequeno, talvez uma minissérie, chamada “Quem Ama Não Mata”, que tinha como tema “Yesterday”, creio eu... Uma ou outra que tocava no rádio, mas bem, aconteceu aquilo, o imbecil do Mark Chapman matou John Lennon pelas costas e eu precisei do Cid Moreira e do Sergio Chapelin para entender quem eram aqueles caras esquisitos do Rubber Soul, do Revolver e do Sgt. Pepper´s e de um compacto de Let It Be, empoeirados, que meu pai mantinha escondidos em meio a discos da Jovem Guarda e do rei Roberto, ótimos também, mas eles receberão um capítulo a parte.

De lá para cá, muita água rolou, duas bandas, um período como editor de música e crítico musical em um site jovem, dois anos na revista da NET, escrevendo de vez em quando sobre música, até que o velho amigo Luís Alberto Nogueira me convida para fazer um frila “que tem a sua cara”... Uma matéria sobre uns especiais e filmes dos Beatles que seriam exibidos no Multishow que incluiria uma lista das 20 mais importantes canções deles, escolhidas por este que vos fala.

Uau! Que responsa! A pauta fez bater a fissura de que eu precisava urgentemente começar a tomar vergonha na cara e dar a minha contribuição para a EMI continuar sendo um dos poucos moedores de carne ainda ativos da moribunda indústria da música e, no Rio, no fim de outubro, no primeiro finde após ser pautado, dei-me de presente o Abbey Road (1969). Fiquei passado ao ouvir a nova edição e decidi que completaria as lacunas de minha coleção dos Beatles em CD com as versões remasterizadas dos discos que eu não tinha ainda, exceto o Yellow Submarine, que só tem quatro inéditas e eu me recuso a comprar.

Está sendo uma deliciosa viagem desde então e hoje, graças ao presente de Clarinha, completei minha missão, em pouco mais de três meses. Estão comigo, fechando a galeria de todos os discos dos Beatles que eu gostaria de ter, além do Branco e do Abbey, Help! (1965) e Sgt. Pepper´s (1967) que eu ganhei no amigo secreto do trabalho, Magical Mistery Tour (1967), que ganhei da minha irmã, e Revolver (1966), que ganhei de minha mãe, ambos de Natal.

O último, aliás, é a segunda vez que ganho da minha mãe, pois em 05 de setembro de 90, na época da primeira grande remasterização, eu ganhei o vinil (pois é, gente, 16 anos, eu ainda pedia presentes para minha mãe, que ralava _e ainda rala_como costureira para me dar esses meus luxos de adolescente). Pois é, “como ele sabe a data?”. Eu tinha a mania de anotar dentro da capa, a data em que eu comprava cada disco de vinil. Com os cds, que passei a comprar em 92/93, eu abandonei a mania.

Só sei que se não fosse o compacto de Let it Be de meu pai, a morte de John Lennon, os presentes de minha mãe quando adolescente, a amizade do Luís e o amor de minha mulher e o gosto de minha filha pelos Beatles, eu não estaria escrevendo este texto agora e, com certeza, seria bem mais infeliz.

Ah, em um parágrafo vamos tentar explicar o que é arrebatador nas versões remasterizadas dos discos dos Beatles. Bem, a mixagem tá super alta. Parece que você está ouvindo um vinil daqueles antigos, pesados, em um som estéreo daqueles de matéria especial da SomTrês sobre qual o melhor som para a sua garçonière. Os vocais estão destilados pelas máquinas de mixagem digital, o baixo e o bumbo, destruidores, lá na frente, e as guitarras, limpas. É uma experiência sonora fantástica. E o melhor: em qualquer aparelho de som é assim. Fora a parte gráfica, a mais bem feita de todos os tempos, com um papel maravilhoso e tem sempre fotos alternativas de takes manjados. Um exemplo é a famosa foto da sessão de 28 de julho de 1968, com os Beatles com os cabelos crescidos (essa imagem aí de cima), ao vento. No encarte do álbum branco há uma outra versão dessa foto, pouco conhecida, com o vento muito forte. Enfim, relíquias que só os fãs e seus herdeiros conseguem entender.

P.s.: E para quem ficou curioso, segue a listinha das 20 músicas que eu considero, em termos de impacto social e histórico, as mais importantes na carreira dos Beatles: Love Me Do, Please, Please Me, She Loves You, I Want Hold Your Hand, I Feel Fine, Help!, Yesterday, Norwegian Wood, Tomorrow Never Knows, Yellow Submarine, Strawberry Fields Forever, Penny Lane, A Day In The Life, Lucy In The Sky With Diamonds, All You Need Is Love, Hey Jude, Helter Skelter, Get Back, Something e Let It Be. Quer saber os motivos das escolhas? Vá ao seu dentista e roube a Monet do mês passado.

2 comentários:

Anita disse...

Olá, gostei do teu blog, e não só por causa dos Beatles hehe
Sabe, eu tive o álbum Branco... ouvia ele todos os dias principalmente Free as a bird. Porém, sumiu da minha casa. Até hoje não me recuperei disso.

Te deixo o convite para passar no meu humilde blog, postei lá uma parte da minha coleção destes moços aí.

Abraços.

MO disse...

Olá,

Free As A Bird é uma canção do primeiro volume das três coletâneas da série Anthology, com sobras de estúdio, versões alternativas e gravações ao vivo dos Beatles.

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