domingo, 18 de março de 2007

The Last Waltz – O Último Concerto de Rock (1978)

direção: Martin Scorcese

com: The Band, Bob Dylan, Eric Clapton, Neil Young, Van Morrison, The Staples, Joni Mitchell, Neil Diamond, Muddy Waters e outros

1976. Após 16 anos na estrada, a The Band está no auge. Após acompanhar de Ronnie Hawkins a Bob Dylan, a banda havia se consagrado como “artista solo”, após excelentes discos, como “Music From Big Pink”(1968). Unilateralmente, Robbie Robertson decide documentar o que seria o último show da banda.

Robertson (guitarra e vocais), Ricky Danko (baixo, violino e vocais), Levon Helm (bateria, bandolim e vocais), Richard Emanuel (piano e vocais) e Garth Hudson (teclados e saxofone) haviam reconstruído a música americana. Anos tocando em salões empoeirados de beira de estrada deram aos caras a ginga suficiente para reinventar o country, o folk, o blues, o gospel e o rythim & blues e deles extraírem seu rock´n´roll suculento e cheio de camadas e nuances, sem descambar para o progressivo ou o hard rock, bem comuns na época.

Scorcese decidiu entrar para o projeto de graça, mesmo não entendendo muito de rock (Marty é fanático por blues e Bob Dylan), ele queria entender como é “aquilo”. Bem ao seu estilo, o baixinho invade os cenários freqüentados pela The Band e, mesmo sem jeito, banca até o entrevistador. A produção era apertada e o diretor pagou os melhores cinematografistas de hollywood do próprio bolso, mas em um determinado momento, o rolo de uma das câmeras termina e na cena final, com todos os convidados no palco, a parte cantada por Clapton não aparece.

Mas são apenas detalhes bobos e que acabam gerando grandes momentos do filme. A participação do grupo The Staples, por exemplo, foi gravada posteriormente, depois de o grupo e o diretor terem considerado a versão de “The Weight”, gravada no concerto, inferior. A banda manda bem também interpretando clássicos de seus convidados, fazendo o pano de fundo, por exemplo, para uma versão bombástica de “Caravan”, de Van Morrison, “Helpless”, de Young, com backings de Joni Mitchell, e “Forever Young”, de Dylan, para ficar apenas em três exemplos.

Entre as da The Band, a voz de Danko se sobressai, maravilhosa, em “It Makes no Difference” e “Stage Fright”. Uma pena que essa obra coletiva foi o último show para valer do grupo, que se reuniu novamente apenas poucas vezes, como na sua indução ao Rock and Roll Hall of Fame, já sem Richard Emanuel, morto logo após o fim da banda. Na autobiografia da banda, Helm afirma que o guitarrista, que nunca deslanchou solo, decidiu sozinho o fim da The Band.

Só faltou uma música: “This Wheels On Fire”, parceria de Danko e Dylan, gravada pela The Band, ainda como The Hawks, e pelos Byrds.

Cotação: *****

Other stuff:

Os extras desse DVD são excelentes. Incluem making off, featurettes originais e o trailer de cinema.

Cotação: ****1/2

7 comentários:

Silvio Campos disse...

Esse eu assisti sentado no chão do Cine Praia Palace da Av. Ana Costa(Santos/SP).
Tempos depois o cine acabou virando um prostíbulo, com filmes pornôs como prêmio a quem frequentava, e hoje é um Bingão nojento de moderno.
Acho que a verdadeira última valsa foi da cidade, que hoje (2007), oferece o Baile da Cidade pra ajudar criançinhas esfomeadas.
Ah se o John Lennon e o Frank Zappa morassem em Santos!!! rsrs

MO disse...

Bons tempos, uma pena que a cidade de Plínio Marcos e Pagu acabou culturalmente. Agora é a cidade do Charlie Brown. Alguém ainda tem que acordar e perceber que Santos não é só o porto e não é só a praia.

Mauro disse...

É verdade, tem o Ninfas e os meus discos também. rs..rs...rs...
Brincadeira amigos, tem muita coisa boa rolando nos lados b´s. Sabadão desses fui na rua 15 e do comercio pra tomar uma gelada e haviam várias "tribos" diferentes interagindo nos bares do centro velho, falando de som, moda, arte, sexo, politica, e assuntos aleatorios. Infelizmente, corto meu saco se alguém estivesse falando do The Band, uma das bandas mais injustiçadas do rock. Vale citar que a carreira solo de todos os caras são excelentes. O disco homonimo Rick Danko e o primeirão do Levon Helm são discoteca básica. O disco marrom do band homonimo e o moondog matinee são de tirar o fôlego. O the band participou do disco no reason to cry do Clapton e salvou o disco. Helm, Danko e Hudson também roubaram a cena na All Star band do Ringo.

MO disse...

É verdade. A All-Star versão com 3/5 da The Band é a melhor de todas. Na minha opinião, para ser perfeito, falta só uma coisa no Last Waltz: Wheels On Fire. Sobre Santos, tem muita coisa boa rolando no centro mesmo, a festa da Flavia (popscene), o povo nos bares é bacana, sim... Mas aquela efervescência da nossa adolescência, acho difícil voltar.

Mauro disse...

Acho que vc é que tá ficando velho.
rs..rs...rs.. Brincadeira brow!

MO disse...

Eu assumo, sem problemas. Tô envelhencendo mesmo, mas tô tirando a ferrugem e me renovando, mas é um processo doloroso... às vezes, as articulações não acompanham.

Silvio Campos disse...

Como diria um velho filósofo da antiguidade:
"Tenha uma boa juventude para não se envergonhar na velhice".
Envelhecer não é problema, o problema é o nosso histórico. ahahah
Tem gente por aí que agradeceu a Deus quando fiz uma limpeza na Teia de Aranha e rasguei a velha Agenda com nomes e referências musicais. Era a minha bússola para caçar discos.
Hoje tem gente cantando Jazz, se insinuando, de salto alto, mas lá na agendinha estava escrito (The Cure, Smiths). Nada contra as bandas, mas cuidemos do presente porque ele vira passado. rsrsrsrs