segunda-feira, 2 de abril de 2007

The Rolling Stones, Sticky Fingers (1971)

Muita gente não entende (nem nunca vai entender) qual o tesão de ainda se ter discos de vinil. Durante alguns anos, desde que mudei para São Paulo, ouvi muito pouco meus long plays e desejava fazer isso ardentemente. Os escutava apenas quando ía a Santos, pois em Sampa eu não tinha uma pick-up para ouvi-los, mas queria tê-los perto de mim, tanto que trouxe a maior parte deles para cá há três anos, porque comprar uma vitrola era uma meta.


Não comprei a vitrola, mas agora estou dividindo um apê com dois amigos e um deles trouxe um som com toca-discos. Aleluia! E os agudos estão todos lá, os baixos pulsantes. E qual foi minha alegria ao reouvir o meu Sticky Fingers. Um vinil quase da minha idade (a prensagem nacional da edição que eu tenho é de 1976!).


Ontem, não era o Marcelo de 32 anos que escutava aquele disco. Era o garoto de 16 anos que o comprou de segunda mão na Teia de Aranha numa tarde de sábado, provavelmente, no mês de março de 1991. E o garoto girava pela sala tentando pegar os acordes com seu violão, e cantava todas. (N. do A.: Eu tenho uma memória incrível, eu sei, mas não é caso dessa vez. Em todos os meus vinis, exceto os que eu comprei do meu primo Vanderson, quando ele virou crente, eu coloquei a data em que eu comprei na borda de dentro da capa. OK, eu sei, eu sou paranóico).


Para mim, a fase dos Stones com o Mick Taylor (1969-1975) é a melhor fase dos Stones. Keith estava viciado em heroína, Mick Jagger perambulava pelo jet set e quem segurava a banda era a banda. E nesse disco Taylor, o baixista Bill Wyman, o baterista Charlie Watts e colaboradores usuais do grupo, como o sexto Stone, Ian Stewart (piano), Billy Preston (órgão), Nicky Hopkins (piano) e Bobby Keys (sax), soam tão coesos, que nem parece que o álbum foi gravado sob circunstâncias árduas.


Você sabia, por exemplo, que, além de belos backing vocals, Keith Richards mal conseguiu tocar guitarra em “Wild Horses”? Isso só para ficar num exemplo. Na belíssima “I got the Blues”, o solo é de órgão, tocado por Preston, e por aí vai, sem menosprezar Jagger e Richards que compuseram neste álbum algumas de suas melhores canções. Além das já citadas, o disco tem “Sway”, “Brown Sugar”, “Bitch”, “Dead Flowers” e “Sister Morphine”, que Marianne Faithfull diz que é dela.


Cotação: *****


Other Stuff

Edição brasileira com a arte de Andy Warhol completa, inclusive o zipper que permite ver o que está por baixo daquele par de jeans (não sei como a censura da ditadura deixou passar essa capa). O encarte está completo, com a foto fantástica da banda, também de Warhol, e o serviço completo, informando quem tocou o quê.


Cotação: *****

4 comentários:

Mauro disse...

O que dizer de Sticky Fingers?
Lembro que quando estava na febre de adquirir tuido sobre os rolling stones, que pra quem era viciado em beatles parecia uma heresia, um dos primeiros que tive contato foi esse disco ( o primeiro foi o satanic, que tinha ganhado c/ umas fitas de um primo, depois o Dirty Work, que tinha gravado no lado B de uma fita só pra completar - o lado A era o the number of the beast - gravado no rodolfo em 87), e ouvia bitch várias vezes ao dia. A batida 4x4 do Charlie Watts é o tesão do disco, o primeiro pela "mais comercial" que a London, CBS, ocasião em que os stones perderam um pouco do glamour do Brian Jones, mas continuaram bem até a saída do Bill Wymann em 90, na minha opinião, claro. De lá pra cá, são excelentes apresentações, mas discos medianos, porém até o Steel Wheels, é tudo legal. É ouvir pra crer.
Abração.

MO disse...

Valeuzaço! No Crônicas (tem link nesse texto), escrevi sobre o dia em que as lendas visitaram SP.

Silvio Campos disse...

O Mauro vive me provocando. Ora a cabeça, ora o coração. Aliás, ele é um coração com mais de 1,70 de altura.
Lá pelos idos de 87 "caiu" na Teia de Aranha um LP do Sticky Fingers espanhol, com a capa censurada, onde surgia uma mão feminina saindo de uma lata de melado da Índia. Capa sensacional também, mas incomparável à original.
Sou obrigado a reconhecer, não de maneira radical pois respeito o gosto de cada um, mas acho que esse disco nunca deveria ser lançado na era-CD. Pra mim é uma obra de Arte específica do LP, por tudo: capa, letras e música.
Obrigado Mauro por mais uma provocação, ao coração.
Abçsss

MO disse...

E é um grande coração, mesmo. E concordo contigo. Este disco e o Some Girls não têm sentido em CD.