terça-feira, 16 de setembro de 2008

Richard Wright *1943 +2008


Em todas as bandas eu sempre gostei da terceira força. Nos Beatles, George Harrison, nos Stones, impossível não simpatizar pelos enigmáticos Brian Jones e Mick Taylor ou pelo sorriso fácil de Ronnie Wood. O mesmo acontece no Floyd com um de seus membros fundadores: Richard Wright, o tecladista, segunda voz da banda e terceira força compositora do quarteto no período entre 1968 e 1975, o auge do Floyd.

Wright morreu ontem em casa, aos 65 anos. Mais uma vítima do câncer no rock and roll. Câncer que levou George e tantos outros astros do rock. E ontem não teve como ficar triste, até porque não há, agora não há mesmo nenhuma chance de ver o Pink Floyd clássico unido novamente: Waters, Gilmour, Wright e Mason, a formação que se apresentou junta pela última vez no Live Aid 2005.

Agora é só nos Cds e nos DVDs da banda ou de David Gilmour que será possível ouvir a maravilhosa voz de Wright em clássicos como “Time” (ele que leva sozinho aquele trecho: “ev´ry year is getting shorter, never seem to find the time/ plans that either come to naught or half a page of scribbled lines/ hanging on a quiet desperation is the english way/ the time is gone, the song is over, thought i´d something more to say), “Echoes”, “Breath”, “Stay” e tantas outras.

Eu, especialmente, gosto muito, mas muito mesmo, de Wright como pianista. Adoro o jeito como ele martela as teclas no início da carreira, os acordes da surrealista “Remember a Day”, em Saucerful of Secrets, ou nas suas partes no álbum More. Ele é simplesmente brilhante nas suas contribuições ao Dark Side of The Moon, na suíte “The Great Gig in The Sky” e em “Us And Them”.

Lembro do dia em que ouvi pela primeira vez o Ummagumma, um álbum duplo completamente maluco do Pink Floyd. Cada Floyd tem meio lado de um disco experimental e o outro disco é um ao vivo com um lado praticamente tomado por uma versão extended de “Careful With That Axe, Eugene”, da trilha de Zabriskie Point, de Antonioni. Na boa, apesar das canções bonitinhas de Waters e Gilmour nesse disco, a melhor parte mesmo é Wright martelando o piano em sua suíte instrumental, “Sysyphus”. Naquela tarde, cochilei ouvindo o disco, acordei com Wright ao piano. Acho que foi o melhor susto da minha vida.

Wright, numa entrevista, disse que abandonou a carreira de letrista, após algumas tentativas fracassadas na opinião dele. Me admira o fato que sua última contribuição como “letrista solo”, após as belas “Remember a Day” e “See Saw”, em Saucerful of Secrets, foi justamente um clássico: “Summer of 68”, uma das três canções do álbum Atom Heart Mother, junto com “If” e “Fat Old Sun”, que nos aliviam dos trumpetes e outras maluquices de Ron Geesin na suíte que dá nome ao disco. Me despeço com essa letra, que é o desencanto pós-verão do amor, a típica desilusão de acordar após uma noite de sexo casual sem amor.

Adeus, Rick.

Summer ´68

Would you like to say something before you leave?
Perhaps you'd care to state exactly how you feel.
We say goodbye before we've said hello.
I hardly even like you.
I shouldn't care at all.
We met just six hours ago.
The music was too loud.
From your bed I came today and lost a bloody year.
And I would like to know, how do you feel?
How do you feel?

Not a single word was said.
The night still hid our fears.
Occasionally you showed a smile, but what was the need?
I felt the cold far too soon in a room of ninetyfive.
My friends are lying in the sun, I wish that I was there.
Tomorrow brings another town, another girl like you.
Have you time before you leave to greet another man
Just to let me know, how do you feel?
How do you feel?
Goodbye to you.
Charlotte Pringle's due
I've had enough for one day.

ATUALIZAÇÃO:

Comentário de Roger Waters sobre a morte de Rick Wright - "I was very sad to hear of Rick's premature death, I knew he had been ill, but the end came suddenly and shockingly. My thoughts are with his family, particularly Jamie and Gala and their mum Juliette, who I knew very well in the old days, and always liked very much and greatly admired. As for the man and his work, it is hard to overstate the importance of his musical voice in the Pink Floyd of the 60's & 70's. The intriguing, jazz influenced, modulations and voicings so familiar in "Us & Them" and "Great Gig In The Sky", which lent those compositions both their extraordinary humanity and their majesty, are omnipresent in all the collaborative work the four of us did in those times. Rick's ear for harmonic progression was our bedrock. I am very grateful for the opportunity that Live 8 afforded me to engage with him, & David & Nick that one last time.
I wish there had been more."

Roger Waters
September 2008

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